Thursday, December 25, 2008

A BASIC INSTRUCTION

Sempre ouço perguntas. Alguma delas se repetem. “Onde é sua igreja?” “Sua igreja está dando resultados?” Entendo sim que a grande maioria das pessoas interpretam o termo “igreja” como o lugar, o templo; a organização, a denominação. Em nossa cultura essas duas coisas (e não passam de coisas) podem ser chamadas de igreja, porém, na luta pela desconstrução do que é do jeito que é, buscando o que deveria ser, ou ainda mais, buscando o ser essencialmente e puramente alguém que só vive pelo evangelho de Jesus sem estar interessado em edificar nada que não sejam seres vivos, racionais e livres, prefiro me referir a igreja e chamar de igreja apenas aquilo que de fato é a Igreja, a reunião dos santos, que é Igreja até quando não está reunida.

Igreja não é lugar onde se vai;Igreja não se falta, Igreja não se tem; Igreja não se deixa; Igreja não se muda.Igreja é gente reunida por Jesus, para Jesus e com Jesus. E quando Jesus faz uso do termo igreja seu sentido era comum - gente reunida, para qualquer coisa. Ele então diz: Edificarei a minha igreja, reunirei gente para mim, disse Jesus.

Onde é minha igreja? Permita-me algumas instruções básicas. Eu não tenho igreja, não há nenhuma igreja minha. As pessoas não me pertencem. Além do mais igreja não possui aonde , igreja é aonde está e onde estão.Igreja é pessoa e são pessoas. Igreja sou e somos, assim todas as prerrogativas de igreja são para vida diária e não para a vida eclesiástica. Portanto, sem nenhuma intolerância, mas no amor a Verdade, por querer ver gente livre e não gente cega e limitada por aquilo que o costume dos usos nos deixam ver é que repito – eu não tenho igreja e não estou preocupado com os resultados que podem ser contabilizados aqui, mas sim com os que só o que sonda alma e intenção pode ver. E como os saberei se não os vejo? Não os saberei e não os pretendo saber.

Mas se você quer saber onde nos reunimos, aí, aí sim te informarei o endereço de um lugar no planeta Terra que por não possuir coração e alma não pode ser igreja. È apenas um espaço, um lugar, uma casa para homens, mulheres, jovens, adolescentes e crianças, mas nunca seria uma casa para Deus.

Ele não habita em templos que Ele mesmo não tenha feito.

Essas poucas palavras estão aqui por amor.

Receba um santo beijo.

Fabio

Monday, December 08, 2008

FELIZES OS PEREGRINOS DE CORAÇÃO

Baseado no Salmo 84.5 (NVI)

Bem aventurados os que sabem que estão nessa vida de passagem, que estando no Mundo não são deste Mundo;

Bem aventurados os que sabem que tudo na vida-passagem é parte da viagem, portanto passa;

Bem aventurados os que não se deixam deter no caminho por que sabem que precisam chegar e sabe onde vão chegar;

Bem aventurados os que não ficam parados diante das pedra e dos abismos, mas que sabem que obstáculos fazem parte do caminho;

Bem aventurados os que não se deixam prender pelos prazeres que a caminhada oferece, mas que vivem o dia bom e o dia mal sabendo que os dois passam, por que ambos fazem parte de nossa vida-viagem;

Bem aventurados os que não perdem de vista o seu santo destino, e que lá estão acumulando seu tesouro;

Bem aventurados os peregrinos de coração, pois tranformam lágrimas em fontes, chuvas em cisterna, e na força do Senhor prosseguem rumo a Sião.

Uma boa viagem a todos os que aceitaram o convite para que em estando no Mundo não serem dele, em vivendo no mundo não se corfomarem com ele e em sendo da Terra viverem com o coração no Céu.

Em Cristo, saúde e paz.

Fabio

Tuesday, November 18, 2008

NÃO-CREDO


Celebro aqui o meu pessoal direito de não crer

Não creio que preciso ter todas as respostas para continuar crendo;
Não creio que meu entendimento teológico me garanta o conhecer a Deus;
Não creio que é possível conhecer todos os métodos divinos;
Não creio em métodos divinos;
Não creio em oração funcional;
Não creio que precisamos de credo;
Não creio em cruz-credo nenhum;
Não creio que todos os que crêem enriquecem no bolso;
Não creio que Deus está venda;
Não creio que Deus use venda;
Na creio que Deus ponha venda em alguém;
Não creio que Deus tenha agenda;
Não creio que seja possível cobrar de Deus;
Não creio que palavras tenham poder em si mesmas;
Não creio que líder seja mais que seus liderados;
Não creio em estruturas santas;
Não creio em santos mais santos,
Não creio em santos menos santos;
Não creio que não possa pensar;
Não creio que a razão contraria a fé;
Não creio que a fé se explica pela razão;
Não creio que só exista o que a razão explica;
Não creio que Deus tenha religião;
Não creio que Deus more em templos;
Não creio que Deus só ouve música gospel;
Não creio que Deus ouça música alguma;
Não creio que culto termine no amém;
Não creio que homens sejam mais ou menos de Deus;
Não creio que homens sejam mais ou menos ungidos;
Não creio que homens sejam donos de ovelhas;
Não creio que somos literalmente ovelhas;
Não creio que somos literalmente ovelhas porque somos humanos e Deus ama homens e não ovelhas (sem esquecer que toda a criação é amada pelo Criador e que ovelhas são bem bonitinhas);
Não creio que os que não crêem como eu creio sejam incrédulos;
Não creio que não crer me faz um incrédulo;
Não creio que você ao me chamar de incrédulo me transforme em incrédulo;
Não creio que se você crer no que eu não creio não sejamos irmãos;
Não creio que devo lutar pelo que eu não creio.

Há outras coisas nas quais não creio, e outras que não creio mais, já que um dia cri. Esse é meu não credo pessoal. E se você quer saber no que creio, me basta a fé em Jesus, o Nazareno, que na Terra nasceu da virgem, mas que na Eternidade é desde sempre e que, sendo como é, voltará, não sei quando nem como, mas voltará, seja para mim ou para você, ou seja para todos.


Tendo por certo isto, que Aquele que começou a boa obra
(no Fabio) é fiel para aperfeiçoá-la até o dia de Cristo Jesus.
(Filipenses 1.6)


A Ele seja a honra pelos séculos dos séculos, amém.

Em Cristo, saúde, paz e discernimento,

Fabio

Tuesday, October 21, 2008

COISAS QUE SÓ QUEM SOFRE SABE.



Que decepção é igual a veneno, na dose certa é remédio, mas se exagerar na dose mata.

Que a dor começa a passar quando descobrimos que ela não é normal, então começamos a tomar o remédio. Quem se acostuma com a dor morre com ela ou dela.

Que pior que morrer com a dor ou da dor é morrer sem descobrir que dava pra viver sem ela. Então descobrir a dor é uma dádiva quando a gente consegue ver que ainda há vida sem dor.

Que traição só é possível se você ama quem te traiu, logo quem ama corre o risco de ser traído. È melhor não amar? Quem não ama não vive. Quem vive e ama não está imune à traição. Pior do que o risco de ser traído é o vazio do não amar.

Que a dor da traição passa à medida que a gente enxerga com misericórdia aquele que traiu. A dor de ser um traidor, pra quem consegue ver a si mesmo, é castigo dos grandes.

Que a calunia é irmã da traição e ambas são filhas da mentira. Que essa família recebe todos de braços abertos, mas seus braços são cobertos de espinhos. Calunia é dor severa.

Que o silencio faz calar a calunia mais rapidamente do que o debate ou o combate. E quem responde calunia com calunia se torna caluniador também. Jogo empatado, baixaria igualada.

Que o desprezo é pior que o ódio. Desprezo é arma noturna, silenciosa e fatal. Quem despreza é o covarde de amor.

Que amor e ódio são separados por uma linha fininha chamada respeito.

Que amizade não é só presença, não são só palavras, não se faz na festa e não se constrói em um dia. Amizade também não se faz só de críticas. Amizade verdadeira se revela numa simples rima: Amizade é Verdade.

Que o tempo da tempestade passa devagarzinho e que as férias na praia acabam rapidinho. Feliz é quem sabe que as tempestades passam, sempre passam, demoram, mas passam e que até férias de mais perdem a graça e viram tempestades.

Que muitas vezes a tempestade tá parada, na dela, curtindo seu barato de ser tempestade e a gente vai lá e se mete de baixo. Haja guarda-chuva.

Que solidão quando é temporária tem seu valor, mas se virar coisa-opção-estado-permanente é doença, mas que “antes só do que mal acompanhado” é verdade verdadeira.

Que todos nós temos mestrado em sofrimento, mas podemos ser doutores em superação e em bom humor. Esse doutorado dá um forte sabor de vida a nossa vida.

Que quem curte a dor com pena de si não deixa que ela acabe. Fica doendo que dá mais ibope.

Que quem ajuda quem sofre ajuda a si mesmo. Bons samaritanos são médicos de si.

Que vingança é veneno que não tem dose certa. Vingança é só veneno. O remédio chama-se perdão. Perdão é coisa pra gente ter overdose.

Quem não perdoa dorme com seu inimigo. Quem tem inimigo normalmente é quem não perdoa. Inimigo tende a ser companheiro de travesseiro.

E assim começa a aventura de ver a vida com bons olhos, sabendo que ao querer ver a vida acharemos bons e maus momentos, mas que é melhor ver do que se enganar. Claro que essa viagem pela realidade das lagrimas não termina aqui, portanto te convido a relacionar lições como estas que só aprende quem sofre. Certamente verás que já aprendeste um bocado.



“Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso.” 
                                                                                                                                      (Isaías 53.3)


Em Cristo, saúde e paz.
Fabio

Wednesday, September 17, 2008

DAS TREVAS PARA A LUZ

As trevas trabalham cegando, o evangelho é a luz;
As trevas precisam da ignorância, o evangelho é sabedoria;
As trevas se alimentam da mentira, o evangelho produz discernimento;
As trevas mentem, o evangelho é a Verdade;
As trevas dizem sim quando querem dizer não, o evangelho diz sim-sim, não-não;
As trevas fazem o sujeito se sentir o máximo, o evangelho faz a gente se sentir apenas o que é de fato;
As trevas manipulam, o evangelho guia;
As trevas aprisionam, o evangelho liberta;
As trevas obrigam, o evangelho convence;
As trevas castigam, o evangelho corrige;
As trevas ridicularizam o pecador, o evangelho salva;
As trevas apontam o dedo, o evangelho estende a mão;
As trevas causam medo, o evangelho lança o medo fora;
As trevas roubam, o evangelho dá de graça;
As trevas arrancam a mente, o evangelho a renova;
As trevas odeiam, o evangelho é amor;
As trevas oferecem o ópio, o evangelho oferece a cura.

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;”
(I Pd 2.8)


Em Cristo, saúde e paz

Fabio

PS: Esse texto é mais um aperitivo do livro que estou trabalhando sobre o Reino. Ele está no contexto em que comento sobre discernimento.

Wednesday, August 20, 2008

NÃO QUERO TEU PLASIL


Serei direto. Tenho nojo daquilo que a maioria das pessoas chamam de evangelho. Só não direi que o uso do termo evangelho para designar certas mensagens, musicas, livros, reuniões, grupos, lideres etc é uma blasfêmia, um desrespeito, por que não sacralizarei o termo. Evangelho não é um termo sagrado, um verbete santo. Evangelho é mais que isso. Tenho direito a essas náuseas! E você também tem! Direito de discordar sem se sentir “tocando no ungido”, de discernir falácias sem estar julgando o inocente, de denunciar sem se ver descobrindo a nudez ou expondo as autoridades. Aliás, esses argumentos citados são apenas alguns dos punhais que castram mentes e cegam olhos. Gente sem direito ao pensamento perde o direito ao nojo ,tomando, garganta abaixo, o Plasil da enganação e do medo.

Quero me enojar mais ainda com o nojo santo. Nojo de quem não quer a religião, o sistema falido, mas quer a simplicidade libertadora do evangelho eterno.

Só o evangelho é remédio sem ser ópio do povo. É esperança sem enganação. É espera sem embromação. É riqueza sem dinheiro. É paz que alenta a alma. É perdão sem poréns.
É olhar pra fora e olhar pra dentro. É a coerência amorosa e violenta do estalar do chicote de Jesus no templo. O evangelho é Jesus, o verbo vivo.

É por causa do Evangelho que tenho nojo dos evangelhos.
E deste enjôo não quero sarar.

Em Cristo, saúde e paz.

Fabio

Monday, August 11, 2008

EU AINDA TENHO UMA FARDA - by Rosana

Gente amiga. Esse texto da Rosana Salgado tem em si muito do que vivo agora em tempo de batalha. É o segundo texto que posto aqui com uma perspectiva poético-militar da Verdade. O binômio "poesia e guerra" mostra que é possível ver beleza nas cenas disformes ques batalhas vida fazem surgir diante de nós. E é em Cristo que a beleza aparece.
Curtam o texto.
Fabio

PS: Mais texto de Rosana em www.ministeriomensagem.com, tem muita coisa boa lá.


Batalha ferrenha, muito barulho, muito estrondo.
Tropas aparelhadas para um confronto.
Ruídos que ensurdecem, que confundem.
Trazem a impressão de se estar num pesadelo.
O medo e a dor se fundem.
Num único sentimento, num único pensamento.

Vou morrer, não vou resitir, não vou escapar!!!
Sou atingido...em cheio, no meio do peito e o sangue jorra.
As forças se vão, caio no chão.
A dor é intensa, inexplicável, indescritível.
Nunca imaginada, pensei que nunca fosse acontecer.
Solidão, essa é a sensação - quem afinal me atingiu?
Ninguém pode parar, a batalha ainda está no ar.
E eu por lá fico, me vejo esvair, ir, aos poucos, pra algum lugar.

Quero ir pra esse lugar, meus olhos turvos, vêem que ele é melhor.
Sem guerra, sem batalha, e eu inteira, sem dor.
E, em meio a tudo isso alguém de mim se aproxima, alvo, claro, branco...
É o médico da tropa, penso - por favor, pratique eutanásia, me deixa ir.
Dói muito, não tem mais jeito.
E Ele retira de seus apetrechos, remédios estranhos, parecem sangue, que se mistura ao meu.
Sinto um véu nos cercando, nós ali, e a guerra lá fora.
Ele quase nada diz, sorri pra mim e me olha como quem fala:
- Eu sei que dói, já passei por isso, calma, não tenha medo.

E ali fico, no meio da batalha, mas fora dela, dentro de um véu.
Com o homem de branco, que não larga a minha mão.
Perco a noção do tempo, devido ao alívio da dor, pelo tratamento.
Que remédio é esse?! é sangue como o meu, mas está me curando e removendo a minha dor.
Sinto sono, vontade de dormir, sono bom, e o homem não larga a minha mão

E a batalha continua, penso: enfim serei retirada daqui,
devo ter perdido alguma parte de mim e não poderei mais lutar, devo estar mutilada:
O homem diz: - não, você ainda está inteira e ainda está vestindo a sua farda, apenas espere o tratamento acabar.
E Ele não larga a minha mão.

Tuesday, July 08, 2008

19 ANOS - Ela é o presente.

Estou especialmente feliz. Hoje eu e Neide completamos mais um ano de casados. São 19 anos de lutas e vitórias, mas acima de tudo de muito amor e respeito.
Casamos cedo e isso nos fez ter que amadurecer juntos e enfrentarmos as dificuldade na maioria das vezes tendo só um ao outro. Como Deus é e faz a diferença!!
Hoje vejo as "crianças" já não tão crianças assim, mas a cada dia ainda revelam a sua dependencia dessa grande mulher.
Quero hoje aqui no blog onde escrevo-desabafo, compartilho-aprendo, falar de meu amor pela Neide.

Nossa como eu amo e adimiro essa fortaleza de mulher,
Amo te-la comigo e não sei não te-la em minha vida,
Te-la não é dete-la, ela é livre. Na liberdade está a essencia do amor.
Creio nisso, somos casados, não apenas estamos. É a nossa vida, não nosso estado presente.
Vivo com a Neide mais tempo que vivi sem ela, (38 anos de vida - 20 anos de comvivencia com ela). E amo esta vida que o Pai me deu.

Uma grande verdade - Neide me atura heroicamente. Viver com um pastor-professor-pescador só tendo muita paciência.

Parabéns pra nós.
Te amo muito e sou grato demais por você ser você.

Fabio

Tuesday, June 24, 2008

METANOIANDO

Não há Evangelho na vida sem conversão. Sem conversão é evangelho falado, pensado, premeditado, filosofado, mas não é o evangelho na vida.

Evangelho na vida é mais que Evangelho vivido.
Evangelho vivido pode ser tentativa forçada de fazer o que deve ser feito. Evangelho na vida é mudança de direção de forma sincera e fluitiva, sem o fardo pesado do ter, mas cheio da essência de ser.

Não há Evangelho na vida sem arrependimento. Sem arrependimento é evangelho de templo, de casa, de lugar, de herança familiar, de cargos e funções, mas não é evangelho na vida.

Evangelho na vida é mais que evangelho freqüentado.
Evangelho freqüentado é estático e pode ser apenas a representação de mais um personagem do cotidiano, só mais uma entidade que se manifesta em dias sagrados, mais uma atuação profissional, mais uma questão de falta de opção do que de decisão. Evangelho na vida é decidir mudar por amor a Deus e aos outros, reconhecendo quem és independente do que fazes.

Não há Evangelho na vida sem quebrantamento. Sem quebrantamento é evangelho competitivo, cheio de razões, vendo o irmão como errado e culpado, responsabilizando outros sem enxergar minha condição. Sem quebrantamento é evangelho das desculpas. Evangelho na vida é ter olhos pra dentro é se enxergar e assim ver o outro com olhos de misericórdia e pureza.

Conversão, arrependimento e quebrantamento estão incluídos na palavra metanóia (grego).
Em suma sem metanóia não há Evangelho e sem o Evangelho não há metanóia.O apelo de Jesus as igrejas da Ásia, no Apocalipse de João, é por metanóia; a mensagem de Jesus começa com metanóia - "arrependei-vos e crede"; metanóia é constancia, é estilo de vida; metanóia é à Deus e aos outros, à família, aos irmãos. Deus está cheio de metanóia por nós seres humanos. Em Cristo mostrou isso à nós, mostrou-se convertido aos homens a tal ponto que se converteu em homem. Assim quem se converte à Ele se converte aos outros, quem se volta para Cristo se encontra com gente.

Metanoiar-se é Evangelizar-se.
Pense nisso e metanoie-se.

Em Cristo, saúde e paz.
Fabio

Tuesday, June 10, 2008

Sem palavras...

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Não consigo não pensar no escritor aos Hebreus referindo-se a homens que o mundo não foi digno deles.

Créditos ao Blog do Caminho.

Fabio

Thursday, May 08, 2008

NA GUERRA

O melhor do pior.

O rapaz assustado gritava do seu posto de observação:
- Comandante, comandante o inimigo esta vindo do leste. Eles são muitos, vão nos dizimar!
- Calma rapaz, seria bem pior se fossem poucos falsos amigos vindos do leste, respondeu-lhe calmamente o velho comandante que logo em seguida bradou:
- Morte ao inimigo! Vamos lutar!


"Há amigos mais chegados que irmãos"

Saude e Paz
Fabio

Thursday, April 17, 2008

ENDEMONIANDO

Se eu peguei dengue, foi o diabo que me picou. Endemoniei o mosquito. Endemoniei uma política de saúde pública vergonhosa. Endemoniei o vaso de planta, a poça dágua, a piscina abandonada. Endemoniei o vizinho. Me endemoniei.

Se eu fiquei duro, sem grana, foi o diabo que me roubou. Endeminiei minha má administração. Endemoniei a possibilidade de não ter construído um caminho profissional profícuo. Endemoniei ainda mais a injustiça a social, já endemoniada por natureza.

Se meu casamento está em crise, foi o diabo que gerou contenda. Endemoniei meu jeito turrão, minha cabeça dura, minha possível postura egoísta. Endemoniei minha escolha. Endemoniei minha esposa.

Se não me porto direito na hora da adoração e da pregação, foi o diabo que me fez irreverente. Endemoniei a má educação.

Se o político em quem votei roubou, foi o diabo que o fez roubar. Endemoniei a safadeza do ladrão. Endemoniei minha desinformação.

Se o político em quem não votei roubou, foi o diabo que fez outros votarem nele. Endemoniei todos os eleitores que não votaram como eu.Endemoniei a diversidade.

Se não gosto de determinado estilo musical, foi o diabo quem compos a musica. Endemoniei a liberdade de gostar e desgostar. Endemoniei o respeito a liberdade.

Se olho para alguém e os pensamentos viajam para lugares impuros, foi o diabo que me seduziu. Endemoniei o desejo. Endemoniei a capacidade de olhar para outro lado. Endemoniei a vigilância.

Se não me importo com as lágrimas e o fracasso do outro, foi o diabo que o fez chorar e fracassar, o que posso fazer se ele "deu brecha"? Endemoniei a indiferença, o egoísmo e o desamor.

Se, se, se, se.

Endemoniar a vida é fácil, difícil é viver entendendo que temos responsabilidades.

Se conheceres a Verdade ela vos libertará.

Em Cristo, saúde e paz.
Fabio

Thursday, March 27, 2008

TIRARAM MEU CHÃO

Apenas um conto que exige coragem pra contar.


Amanheceu. Eu continuava sentindo a estranha sensação que me perturbou por horas e horas naquela madrugada, a mesma sensação que me impediu de dormir. Havia algo de estranho no quarto, não conhecia aqueles cheiros, meu colchão não era tão duro assim, minha roupa não era aquela, meu despertador não tocou, e mesmo se tivesse tocado apenas seria testemunha da minha noite de insônia Foi a estranheza que me tirou o sono e que por vezes me fez duvidar se estava dormindo ou acordado. O galo cantou! Galo? Estou acostumado ao canto estridente das buzinas, ao barulho da cidade grande logo cedinho e não ao cantar dos galos. Ao me levantar da cama percebo um chão de terra batida, minha mente e meus pés não reconheciam tal chão. Chão é coisa que não se nota. O chão da gente é valorosamente imperceptível, a gente se acostuma tanto com o chão que pisa que já não o nota, até que pisamos em outro chão e vem na mente a frase de quem perdeu a preciosa segurança de ter um chão pra pisar –“ tiraram meu chão “. Agora eu tinha essa sensação de chão tirado, estava num mundo, numa casa que não era minha, pisando num chão que não era o meu e, para piorar tudo, não me lembrava de ter viajado pra lugar algum. “Tiraram meu chão”, era a frase que gritava alto dentro de mim.

Ao caminhar pela casa percebi que a simplicidade dava o tom da decoração daquele ambiente. Móveis de madeira e palha se acomodavam bucolicamente aos cantos do quarto e da pequena sala que ali havia. Quadros pendulavam nas paredes de barro como que fugidos de algum antiquário, uma cabaça cheia d´água me esperava oferecendo-me generosamente o frescor que aliviaria o forte e abafado calor que eu sentia. E o silencio? Nossa, era com se estivesse num vácuo de solidão em meio a uma simplicidade de vida que não conhecia até aquele momento de minha história pessoal. Me acostumei a estar cercado de pessoas, que na maioria das vezes, faziam tudo pra me agradar. Me acostumei ao mármore, perfume da riqueza e me sentia muito feliz por ser assim. Naquele momento, diante de coisas tão simples e de pouco valor, diante do perfume de roça, confesso que me senti estranhamente vazio.

Porém o choque maior ainda estava por vir. Dirigi-me a porta do casebre que já estava entreaberta, lá fora tudo parecia ter sido deixado repentinamente. Um pequeno cachorro magrelo deitado sobre as patas dianteiras me acompanha com os olhos. Sede, muita sede, calor, muito calor, solidão, muita solidão. “Tiraram meu chão, essa não é minha terra”. Tudo parecia tão miserável que, agora, me sentia enojado.

Ao caminhar por aquele terreno descobria ali uma vila de casas idênticas a que me abrigara, todas vazias. Percebi então que aquele vilarejo estava num platô de uma montanha e que um barranco me oferecia a visão de um belo vale que se estendia ao longo de um pequeno monte onde uma pequena multidão se mantinha assentada. Eles pareciam ouvir alguém palestrando. Foi nessa hora tive a sensação de estar vivendo um dejavu – já tinha visto essa cena. Claro que me aproximei e isso confirmou minha desconfiança. Supunha que aquilo que eu via acontecer diante de meus olhos eu já tinha visto, de fato, com a imaginação alimentada pelos ouvidos. Eu estava diante do monte que testemunharia a maior mensagem de todos os tempos. Obrigado Senhor, que privilégio, poderia testemunhar a tantos sobre a certeza de fé que adquiriria ouvindo em loco a mensagem do Mestre. O que eu sabia é que minha fé seria confirmada e edificada. “Quando voltar para o Brasil vou poder contar pra todos os irmãos que vi e ouvi coisas que testemunham o quanto estamos no caminho certo” . Não poderia ser diferente, já que eu sabia que estávamos vivendo na “geração do avivamento” brasileiro e ,se há um avivamento, pensava, só poderíamos estar fazendo a coisa certa, já que Deus não visitaria gente errada, concluía. Comecei a gostar de estar ali, ainda que sem “meu chão”, mas uma expectativa de crescimento futuro me consolava. Quantos convites pra pregar essa experiência geraria? Isso me fará escrever um best-seler. “Obrigado Deus, não sei se isso é sonho ou realidade, mas creio que estou vivendo uma grande restituição em minha vida. Estou sendo honrado por Ti”, orava eu grato e orgulhoso enquanto me aproximava da multidão sentada sobre o monte. Eles estavam agrupados na ribanceira da montanha, e o Mestre na parte mais baixa, isso me fez ter que dar a volta, passar ao lado dele, atrapalha-lo, já que e todos me olhavam enquanto me achegava. Ai que vergonha. Vergonha maior foi quando ele me olhou – serei fulminado – pensei - vou me prostrar me jogar por terra, tirar minhas sandálias, preciso fazer alguma coisa agora. Isso tudo passou por minha mente tão rapidamente que o maxímo que fiz foi avermelhar diante de um discreto sorriso dele e uma abanar da cabeça que me disse com a eloqüência de um gesto um bem-vindo caloroso. Percebi que por muito pouco minha religiosidade não me faz atuar circensemente. Agora eu estava envergonhado de verdade – “já atuei antes pensando que te impressionava, mas apenas impressionei quem me assistia atuar”. Ah se eu pudesse desaparecer, mas não podia. Isso era só o começo!

Sentei e Ele estava lá de pé. Falava num português nordestino carregado de sotaque que me fez lembrar o porteiro do meu prédio. Como poderia isso estar acontecendo? Jesus no agreste, sem cerimônia alguma? Rindo e chorando. Impossível conceber uma coisa dessas! Eu deveria estar louco, porém uma voz suave falou pessoalmente a mim – “minhas ovelhas ouvem a minha voz e me seguem”, estava claro aos meus sentidos que Ele falava a língua do povo, a língua simples que o povo entendia. Meu chão ia se esvaindo, meus paradigmas cristãos se abalaram só com o olhar e o sotaque. O que mais viria? O que mais eu veria?

Confesso que naquela hora ouvia a fala Dele sem ouvir o que Ele falava. Me preocupei com Seu sotaque e me esqueci de Sua mensagem. Já estava eu envergonhado de novo. Quantas vezes fiz o que eu acabara de fazer, julguei as pessoas pela fala, pela roupa, pela forma, sem nem atentar para o que elas tinham pra dizer? Eu havia acabado de fazer o mesmo com o Mestre. Agora eu torcia pra que meu chão sumisse de vez!

Tudo ali parecia me contradizer. As pessoas chamadas pelo Mestre de bem-aventuradas eram pobres e suadas. Nem de longe carregavam o estereotipo engomado pelo capitalismo que me fazia entender que alguém era prospero ou não. Era gente sofrida de mais para ser chamada de feliz, mas Ele as chamava assim e eu me chocava com a idéia, já que pra mim ser pobre era sinônimo de infelicidade. E Jesus esta ali dizendo aos pobres que eles eram felizes! Eu me encontrava exatamente como eles ali, pobre e suado, e entendi que só por ouvi-lo eu já era feliz. Sua voz me tornava bem-aventurado, uma consolação inenarrável encheu meu coração. Pela primeira vez na vida eu me senti de fato feliz. Pobre, suado, empoeirado e com sede, porém feliz.

Tantas coisas Ele dizia e todas eu já sabia, mas agora o peso das palavras Dele me achatava, me abatia. Ali sozinho num chão que não era meu eu O ouço bradar: “ Oh gente! Num se aperreiem com os tesouros dessa vida, vale a pena não. Você ajunta aqui e o ladrão vem e rouba, vem a traça e come, a ferrugem acaba com tudo. O bom é ajuntar tesouro no Céu , lá num tem ladrão, num tem traça e nem ferrugem”. Agora eu tinha que questiona-Lo e quase fiz isso publicamente. Por que num dar aos pobres uma esperança aqui, se eles não têm tesouro nenhum pra acumular mesmo? Por que num despertar a fé deles? Dizer que eles podem ao menos sonhar que serão ricos um dia? Quando eu ia falar, aquela brisa interior soprou de novo – “Se espera nas coisas dessa terra você é o mais miserável dos homens”. Esperança não é ilusão é fé que faz a alegria de esperar existir, eu pude concluir então. Então eu vi que tinha enganado muita gente em nome de Deus, prometendo uma esperança vazia de prosperidade e riquezas que nada, nada, nada valia diante daquele que dizia: “Num tenho nem onde deitar a cabeça” e que, mesmo assim, falava de felicidade com a propriedade de quem sabe o que é ser feliz.

- Perdoem os fofoqueiros e falem bem deles. Orem por esses infelizes. Eles não sabem o que é viver em paz.

- Os que maltratam vocês, eu digo que vocês devem amar essas também. Porque se vocês fizerem assim, mesmo que continuem apanhando, uma hora eles verão que sua honra é maior que o ódio deles.

- Os que não se importam com seu frio e com sua fome, pedem que vocês dêem a eles a pouca roupa que têm e a pouca comida que vos resta, aprendam a compartilhar, porque o Pai cuida de vocês. Ele veste as plantas e alimenta as aves, vocês são mais que plantas e passarinhos, por isso não se avexem.

- Primeiro busque o Reino de Deus e sua justiça, todo resto virá pra vocês mais cedo ou mais tarde.

Nossa, era tudo real, prático, vívido. Aquelas palavras tinham cheiro de gente e não de sermão dominical. Uma certeza me invadiu – Eu não tinha entendido nada sobre Jesus, mesmo carregando divisas eclesiásticas nos ombros, eu não O conhecia. Conhecia a minha religião, não conhecia a Cristo. Eu estava envergonhado, mas encontrava nisso um sentido gracioso, pois Ele me deixou vê-Lo.

Seu olhar me toca agora como quem diz: Viu como você não via?

Quando o despertador tocou, eu acordei assustado. As buzinas já se faziam ouvir e a cidade já havia despertado pra mais um dia de sons e cores berrantes. Agora eu estava de volta ao pesadelo real da minha vida confortável. Havia sonhado um sonho bom, lembrava de tudo e, mais ainda, das vergonhas que senti. Não teria apartir de agora o direito de continuar sendo o que eu era até a noite passada. Conheci outros valores, fui olhado por outros olhares, não consigo mais ser um opaco-religioso-urbano. Descobri que não havia avivamento algum, percebi que não era autêntico, que minha fé estava firme nas coisas dessa terra e distante da esperança celestial. Meu Deus quanta miséria a minha.

Agora os afazeres me impedem de continuar confessando e compartilhando, meu terno me aguarda engomado, meu perfume me chama, meu sermão esta pronto desde anteontem e minha igreja precisa de mim assim forte, corajoso e rico. Isso lhes dá uma sensação de poder e segurança. Obrigado gente, mas um povo avivado me espera. Preciso esquecer a vergonha e seguir triunfando. Fico sem chão, mas não posso perder a pose. Bom dia...

Assim termina o sonho e o pesadelo começa.


A Rocha Eterna, nosso chão, não muda e não negocia a Verdade.

Saúde e Paz
Fabio

Monday, February 18, 2008

CEGUEIRA PIOR AINDA

Na terra de cegos havia um rei de um olho só;
Via com seu olho único o que a plebe apenas percebia;
Na terra de cegos havia um rei cego de um olho só;
Se sentia poderoso, habilidoso, formoso e cheio de força, pois podia ver, pouco, mas podia.
Se esquecia apenas que também era cego, pior ainda é que sua cegueira era o que ele nunca via;
Isso fazia o rei dos cegos o pior cego que havia.

Seus súditos? Tinham no rei-cego seu ídolo, seu deus;
Não sabiam de sua cegueira, mas sabiam que precisavam que alguém visse;
Um cego guiava os cegos na terra de cegos;
Os cegos não viam que seu rei não via;
A cegueira dos cego eram trevas nos olhos e trevas na mente;
Os olhos não viam, as mentes não sabiam.

Quem tiver ouvidos que ouça;
Quem tiver olhos que veja;
Que olhemos pra nós, olhando quem somos, mas vendo, prioritariamente, quem não somos.


Um basta aos reis cegos que escondem do povo seu estado de cegueira, manipulando consciências, usando ignorâncias e se alimentando do sangue crédulo dos fracos e pequeninos irmãos. A estes aguardam as trevas eternas.

“Senhor, que nos abram os olhos” Mt 20.33


Saúde e Paz

Fabio