Monday, December 12, 2011

NATAL SENTIDO


Mais uma vez o Natal está chegando. Sabendo que tal data comemorativa está longe de ser, essencialmente, religiosa ou devocional, está longe historicamente de ser o dia natalício de Jesus na terra dos homens e está longe, praticamente, de ser uma festa com fins filantrópicos e humanitários, antes é a grande e esperada celebração do comércio. Todos aguardam o fim do ano para pagar dívidas, realizar sonhos, adquirir
aquela TV de última geração, reformar a casa e etc. Tudo isso tem seu valor
e lugar em nossas histórias de vida. Consumismo à parte, presentear um filho na noite de Natal e ver o sorriso de satisfação do pequenino é
um prazer inestimável. Ainda que haja todo este apelo capitalista e que a
data não seja “a data” (o que pouco importa, porque se fosse a data exata do nascimento de Jesus já teria se capitalizado há tempos) o Natal, enquanto um dia especial do ano, nos permite (ou deveria permitir) algumas reflexões.

Particularmente tenho passados meus últimos natais com amigos, além de
familiares. Percebi o quanto estes laços de amizade se estreitaram. Experimente chamar alguém que você sabe que estará solitário
na noite de Natal a passar esta data com você. A experiência resulta em
amizade. Estes solitários do Natal muitas vezes estão perto de nós e até os
chamamos de irmãos.

Natal nos permitir refletir sobre a importância do outro. Lembrar do
nascimento de Jesus é lembrar do maior ato de doação da História,
a doação de Deus aos homens. Ele se doou para nos reconciliar consigo
mesmo. Pensemos sobre o quanto de nós temos doado ao próximo, ao necessitado, ao que tem fome. Nem o tudo que fizermos trará a solução final das crises da humanidade, mas podemos fazer um mínimo, e o Natal
é oportuno para revermos estes valores na vida e para a vida. Experimente dar um prato de comida a um faminto no Natal. Apenas experimente, isto resulta em sorrisos gratos.

Sei que estas poucas palavras soam piegas, repetitivas e chovendo no
molhado. Todos sabem disso e de muito mais sobre a data. Tudo já foi cantado e contado. Meu motivo em escrever este pequeno texto é propor que o Natal seja sentido. Sentido como reconciliação; sentido como auto-avaliação; sentido como gratidão; sentido como doação e sentido como tudo mais que, em sendo sentido, de significado verdadeiro a comemoração
do nascimento do Salvador entre os homens. Não sendo assim, o Natal não tem
sentido, por mais farta e bela que seja a noite. Não tem sentido, porque reduz à incoerência o verdadeiro sentido do dia chamado Natal: o que fez o Filho de Deus nascer entre os homens: seu amor e sua graça salvadora.

Um feliz Natal sentido é o que desejo para todos nós.

No amor de Jesus, que se deu como presente aos homens, para que haja o Seu
natal nos corações.

Fabio

Wednesday, November 09, 2011

ENDEMONIANDO



Se eu peguei dengue, foi o diabo que me picou. Endemoniei o mosquito. Endemoniei uma política de saúde pública vergonhosa. Endemoniei o vaso de planta, a poça dágua, a piscina abandonada. Endemoniei o vizinho. Me endemoniei.

Se eu fiquei duro, sem grana, foi o diabo que me roubou. Endeminiei minha má administração. Endemoniei a possibilidade de não ter construído um caminho profissional profícuo.Endemoniei minhas escolhas. Endemoniei ainda mais a injustiça a social, já endemoniada por natureza.

Se meu casamento está em crise, foi o diabo que gerou contenda. Endemoniei meu jeito turrão, minha cabeça dura, minha possível postura egoísta. Endemoniei minha escolha. Endemoniei minha esposa.

Se não me porto direito na hora da adoração e da pregação em meio a congregacção e a experiencia comunitária, foi o diabo que me fez irreverente. Endemoniei a má educação.

Se crio intrigas e calunio os outros, foi o diabo que me levou a fazer isso. Endemoniei minha falta de ética e meu espirito de porco.

Se o político em quem votei roubou, foi o diabo que o fez roubar. Endemoniei a safadeza do ladrão. Endemoniei minha desinformação.

Se o político em quem não votei roubou, foi o diabo que fez outros votarem nele. Endemoniei todos os eleitores que não votaram como eu.Endemoniei a diversidade.

Se não gosto de determinado estilo musical, foi o diabo quem compôs a musica. Endemoniei a liberdade de gostar e desgostar. Endemoniei o respeito a liberdade.

Se olho para alguém e os pensamentos viajam para lugares impuros, foi o diabo que me seduziu. Endemoniei o desejo. Endemoniei a incapacidade de olhar para outro lado. Endemoniei a vigilância.

Se não me importo com as lágrimas e o fracasso do outro, foi o diabo que o fez chorar e fracassar, o que posso fazer se ele "deu brecha"? Endemoniei a indiferença, o egoísmo e o desamor.

Se, se, se, se.

Endemoniar a vida é fácil, difícil é viver entendendo que temos responsabilidades.

Se conheceres a Verdade ela vos libertará.

Em Cristo, saúde e paz.
Fabio

Monday, October 31, 2011

PROTESTO PROTESTANTE



Em homenagem aos 494 anos da chamada Reforma Protestante, escrevo algumas "teses" como um protesto protestante.


PROTESTO contra os neo-papas, ultra-ungidos e afins , que mesmo se "identificando" com o Protestantismo, negam esta raiz quando postulam a inerrância de suas idéias e falas. PROTESTO contra os que fingem que não vêem e que gostam desta espiritualidade pagã e burra.

PROTESTO contra a perda histórica do aspecto protestante, inovador, dinâmico e inconformado dos que se dizem protestantes. O Evangelho é acido e doce. A politica religiosa o "transforma" em negociata populista.


PROTESTO quanto ao uso ressurgido de relíquias, sejam elas judáicas, ou objetos com poderes mágicos , ou mesmo pessoas tidas como espiritualmente capazes de levar homens aos saberes celestiais. PROTESTO contra a venda ressurgida de indulgências, bençãos materias e supostas vitórias aqui e no porvir. Vendas estas que alimentam os neo-vendilhões do templo. PROTESTO quanto aos que fazem tais coisas e ainda se dizem protestantes, dado que em suas teses, Lutero, denunciou tais práticas como contraditórias ao Evangelho.

PROTESTO contra a cultura religiosa de só se abrir a Bíblia quando se vai ouvir uma pregação, palestra e afins. PROTESTO contra a leitura bíblica feita como consulta a um "oráculo". PROTESTO contra a leitura bíblica em busca de promessas. PROTESTO contra a leitura bíblica em busca de bases combativas e/ou puramente doutrinárias. PROTESTO contra quem trata a Bíblia como um livro mágico. PROTESTO contra quem prefere ouvir um pregador do que ler a Palavra. PROTESTO contra quem só ouve ou fala e não procura viver. PROTESTO contra os "mestres para si mesmo".

PROTESTO quanto ao estabelecimento de uma relação comercial entre clérigos e crentes, quando os primeiros buscam satisfazer, com criativida e misticismo, a demanda do seu publico alvo: os carentes e os ambiciosos. PROTESTO quanto a insatisfação da audiência contemporânea em relação a quem não faz espetáculos em nome da fé, fala a verdade e diz que o Evangelho é simples e sem magias. PROTESTO contra quem protesta ,mas continua alimentado o mercado das mágicas e das celebridades clericais.

PROTESTO quanto a fragmentação do Evangelho, quando se vê verdades como sendo a Verdade, dons espirituais como o fim e não um meio, ministérios como honra e não como serviço. PROTESTO contra a soberba da humildade cristã.

PROTESTO contra o denominacionalismo confundido com o Reino de Deus, contra a perseguição e satanização dos que escolhem não viver nos arraias denominacionalistas. PROTESTO contra a "Inquisição Pós-moderna" que condena os pecadores e os pensadores à fogueira do sistema. PROTESTO contra quem em nome de combater o sistema cria um novo sistema, ao tratar como inimigo os discordantes.

E vou seguir protestando , sei que vou, mas o que mais importa é seguir em novidade de vida, seguindo a Jesus. Ele que foi e é o protesto vivo, a mudança encarnada, a contradição em forma de Deus-homem.


Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solu Christu e Soli Deo Gloria.



Fabio

Monday, September 05, 2011

BOSSA BOA NOVA


Se voce disser que eu desafino amor - Que meu pensamento é discordante em relação ao seu.
Saiba que isso em mim provoca imensa dor - Ou não, dependendo de quem e do que dá até uma alegria.
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu - Eu sei que você se acha dono da verdade. Receba minha ironia.
Eu possuo apenas o que Deus me deu - Só sei o que o Pai me faz saber, só tenho o que o Pai me deu. Não sou o "cara" como você.

Se você insiste em classificar - Não faça isso, você será julgado com medida transbordante.
Meu comportamento de anti-musical - Seu comportamento errado é ético, enquanto minha ética é imoral para você.
Eu mesmo mentindo devo argumentar - Tenha paciência com esse pecador e ouça meus argumentos pobres e irônicos.
Que isto é bossa-nova, isto é muito natural - Minha mensagem é simplesmente uma bossa-nova, uma Boa Nova, simples e sem malabarismos.

O que você não sabe nem sequer pressente - Seja mais profundo na sua maneira de ver o outro discordante.
É que os desafinados também têm um coração - Os hereges, segundo sua opinião, como eu, também sentem. Seja mais sensível e humano.
Fotografei você na minha Roleiflex - Guardei uma imagem de você.
Revelou-se a sua enorme ingratidão - Sua imagem para mim é de ingratidão, já que não me vê como gente, mas apenas tem uma opinião sobre mim.

Só não poderá falar assim do meu amor - Mas, pela Graça, eu te amo mesmo assim.
Este é o maior que você pode encontrar - Não há amor maior do que este. Amor imerecido.
Você com sua música esqueceu o principal - Seu egoísmo de só achar bom o que é seu, de só olhar para suas próprias realizações, não te deixa ver a mim.
Que no peito dos desafinados - Você não deveria rotular pessoas.
No fundo do peito bate calado - Pessoas rotuladas sofrem no silencio da sua própria alma.
Que no peito dos desafinados - Me ouça novamente.
Também bate um coração - Eu tenho sentimentos e sofro por sua falta de discernimento e seus julgamentos.

Ouça o Evangelho desafinado.
A Boa Nova é uma bossa-nova de vida.
O Desafinado de Nazaré nos ama, apesar de nós mesmos. Os desafinados segundo o que pensamos ser desafinar, também sofrem e amam.

Um beijo de um coração em desafino.
Fabio

Saturday, August 13, 2011

DORME EM PAZ MEU ANJO


Eu já disse essa frase muitas vezes
Como pai de três jovens-adolescentes ainda me lembro bem da hora de colocá-los para
dormir, das orações ao pé da cama, das histórias contadas que,
normalmente, não eram inéditas, por que criança sempre gosta das
mesmas histórias. Lembro bem das noites de medo também, quando um
deles não conseguia dormir com pavor de alguma coisa que nem sabia
dizer o que. Medo da vida? Medo de crescer? Não, por estas coisas, em
relação a eles, nós, os pais, é que perdemos o sono. Medo de criança é
coisa que vai embora com um simples afago e com a presença de quem os
ama e que, por isso, elas se sentem seguras. Isso sempre funcionou.
Sentar ao lado da cama, fazer um carinho e uma oração. Pronto, dormiu.
Sempre funcionou assim.
Acabo de ler uma notícia sobre o funeral da cantora britânica Amy
Winehouse, 27 anos. Nunca acompanhei suas músicas, não sabia nada dela
musicalmente, mas sempre soube o que dela foi mais explorado: a sua
doença, a sua insanidade. A mídia utilizou-a como ela utilizou-se de
tudo que podia destruí-la. Amy Winehouse se matou. Se matou desde do
dia em que conheceu as drogas.
Diante do caixão com o corpo da cantora, seu pai, Mitch Winehouse,
durante a cerimônia fúnebre realizada no cemitério Edwarebury, em
Londres, disse as seguintes palavras de despedida: “Boa noite meu
anjo, durma em paz”. Meu coração se espremeu todo quando li isso.
Pensei que talvez fossem estas as palavras que ele dizia ao colocar a
filha para dormir quando criança. Ali não estava a cantora, a louca, a
musa dos escândalos. Ali jazia o corpo de uma filha. Ao seu lado não
estavam os fãs, estava um pai. Winehouse, cantora talentosa,
milionária, compositora, mas morreu a morte comum aos que se arriscam
no mundo marginal das drogas, inclusive das lícitas, que matam, e
muito.
Quem esperava um outro fim para ela? Quem, do lado de cá da tela, não
sabia que a morte de Amy já não seria uma surpresa? Seus pais. Seu pai
e sua mãe, acredito, que ainda tinham esperança, ainda que fosse
pouca. Assim são os pais, esperançosos. Alguns de tanta esperança
adoecem, tornam-se ansiosos. Ainda outros não aceitam seus filhos como
são. Da esperança passam ao pesadelo do ciúme, tornam-se invejosos. E
a gente poderia seguir aqui poetizando estas coisas duras da vida ou
se aninhando no amor de mãe e de pai que sempre está nos fortalecendo,
mesmo quando nossos ‘velhos’ se vão.
Há uma ironia nisso tudo. Pais chamam filhos de anjos, mas os anjos
são os pais. Ao menos é o que se espera. Ao menos é o que deveria
haver. Dentro da normalidade da vida é exatamente o que são. Cuidam,
ensinam, protegem, perdem, tornam a perder e, não excepcionalmente,
fazem isto em silêncio e, também, em uma grande maioria das vezes,
recebem o silêncio em troca.
Filhos, honrem os vossos pais. Como pai, digo, a honra da paternidade
é a atenção dos filhos, é o muito obrigado, é a consideração ao que
se diz e o reconhecimento ao que se faz.
Pais não provoquem a ira em vossos filhos. Nenhum filho odeia um pai
de graça. O abandono, a violência, a omissão, a distorção, o abuso,
o egoísmo, o mau exemplo, a desgraça dos vícios, a traição e coisas
semelhantes a estas, desfiguram o pai. O anjo se torna demônio,
demônio é odiável pelo que semeia, não de graça. Demônios paternos são
a pior classe de bestas-feras. O pior é que estes ‘espíritos
familiares’ se reproduzem, muitas vezes, nos filhos bestializados por
bestas-pais.
E sobre pai, não se esqueça nunca que o Pai tem cuidado de ti. Que o
Pai não dorme nunca e nos guarda sempre em suas mãos. Na maioria das
vezes, nada vemos, e nem sabemos, mas o Pai está cuidando de nós. Sem
Ele “inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o
pão de dores, pois ele supre aos seus amados enquanto dormem”. (Salmo
127.2- versão revisada).
Enquanto seus filhos descansam, o Pai os supri de tudo. Ele é próprio
tudo, em todos. Ele é o nosso Pastor, Ele nunca nos faltará. Mesmo que
uma mãe esqueça seu filho, ou um pai se bestialize, o Pai nunca
esquece de suas crianças, e como o de crianças deseja que seja o nosso
coração. Honremos o Pai.

Feliz dia dos pais!

Fabio, filho e pai.

Monday, August 01, 2011

TIRARAM MEU CHÃO (reeditado)



Este é apenas um conto que exige coragem pra contar.


Amanheceu. Eu continuava sentindo a estranha sensação que me perturbou por horas e horas naquela madrugada, a mesma sensação que me impediu de dormir. Havia algo de estranho no quarto, não conhecia aqueles cheiros, meu colchão não era tão duro assim, minha roupa não era aquela, meu despertador não tocou, e mesmo se tivesse tocado apenas seria testemunha da minha noite de insônia Foi a estranheza que me tirou o sono e que por vezes me fez duvidar se estava dormindo ou acordado. O galo cantou! Galo? Estou acostumado ao canto estridente das buzinas, ao barulho da cidade grande logo cedinho e não ao cantar dos galos. Ao me levantar da cama percebo um chão de terra batida, minha mente e meus pés não reconheciam tal chão. Chão é coisa que não se nota. O chão da gente é valorosamente imperceptível, a gente se acostuma tanto com o chão que pisa que já não o nota, até que pisamos em outro chão e vem na mente a frase de quem perdeu a preciosa segurança de ter um chão pra pisar –“ tiraram meu chão “. Agora eu tinha essa sensação de chão tirado, estava num mundo, numa casa que não era minha, pisando num chão que não era o meu e, para piorar tudo, não me lembrava de ter viajado pra lugar algum. “Tiraram meu chão”, era a frase que gritava alto dentro de mim.

Ao caminhar pela casa percebi que a simplicidade dava o tom da decoração daquele ambiente. Móveis de madeira e palha se acomodavam bucolicamente aos cantos do quarto e da pequena sala que ali havia. Quadros pendulavam nas paredes de barro como que fugidos de algum antiquário, uma cabaça cheia d´água me esperava oferecendo-me generosamente o frescor que aliviaria o forte e abafado calor que eu sentia. E o silencio? Nossa, era com se estivesse num vácuo de solidão em meio a uma simplicidade de vida que não conhecia até aquele momento de minha história pessoal. Me acostumei a estar cercado de pessoas, que na maioria das vezes, faziam tudo pra me agradar. Me acostumei ao mármore, perfume da riqueza e me sentia muito feliz por ser assim. Naquele momento, diante de coisas tão simples e de pouco valor, diante do perfume de roça, confesso que me senti estranhamente vazio.

Porém o choque maior ainda estava por vir. Dirigi-me a porta do casebre que já estava entreaberta, lá fora tudo parecia ter sido deixado repentinamente. Um pequeno cachorro magrelo deitado sobre as patas dianteiras me acompanha com os olhos. Sede, muita sede, calor, muito calor, solidão, muita solidão. “Tiraram meu chão, essa não é minha terra”. Tudo parecia tão miserável que, agora, me sentia enojado.

Ao caminhar por aquele terreno descobria ali uma vila de casas idênticas a que me abrigara, todas vazias. Percebi então que aquele vilarejo estava num platô de uma montanha e que um barranco me oferecia a visão de um belo vale que se estendia ao longo de um pequeno monte onde uma pequena multidão se mantinha assentada. Eles pareciam ouvir alguém palestrando. Foi nessa hora tive a sensação de estar vivendo um dejavu – já tinha visto essa cena. Claro que me aproximei e isso confirmou minha desconfiança. Supunha que aquilo que eu via acontecer diante de meus olhos eu já tinha visto, de fato, com a imaginação alimentada pelos ouvidos. Eu estava diante do monte que testemunharia a maior mensagem de todos os tempos. Obrigado Senhor, que privilégio, poderia testemunhar a tantos sobre a certeza de fé que adquiriria ouvindo em loco a mensagem do Mestre. O que eu sabia é que minha fé seria confirmada e edificada. “Quando voltar para o Brasil vou poder contar pra todos os irmãos que vi e ouvi coisas que testemunham o quanto estamos no caminho certo” . Não poderia ser diferente, já que eu sabia que estávamos vivendo na “geração do avivamento” brasileiro e ,se há um avivamento, pensava, só poderíamos estar fazendo a coisa certa, já que Deus não visitaria gente errada, concluía. Comecei a gostar de estar ali, ainda que sem “meu chão”, mas uma expectativa de crescimento futuro me consolava. Quantos convites pra pregar essa experiência geraria? Isso me fará escrever um best-seler. “Obrigado Deus, não sei se isso é sonho ou realidade, mas creio que estou vivendo uma grande restituição em minha vida. Estou sendo honrado por Ti”, orava eu grato e orgulhoso enquanto me aproximava da multidão sentada sobre o monte. Eles estavam agrupados na ribanceira da montanha, e o Mestre na parte mais baixa, isso me fez ter que dar a volta, passar ao lado dele, atrapalha-lo, já que e todos me olhavam enquanto me achegava. Ai que vergonha. Vergonha maior foi quando ele me olhou – serei fulminado – pensei - vou me prostrar me jogar por terra, tirar minhas sandálias, preciso fazer alguma coisa agora. Isso tudo passou por minha mente tão rapidamente que o maxímo que fiz foi avermelhar diante de um discreto sorriso dele e uma abanar da cabeça que me disse com a eloqüência de um gesto um bem-vindo caloroso. Percebi que por muito pouco minha religiosidade não me faz atuar circensemente. Agora eu estava envergonhado de verdade – “já atuei antes pensando que te impressionava, mas apenas impressionei quem me assistia atuar”. Ah se eu pudesse desaparecer, mas não podia. Isso era só o começo!

Sentei e Ele estava lá de pé. Falava num português nordestino carregado de sotaque que me fez lembrar o porteiro do meu prédio. Como poderia isso estar acontecendo? Jesus no agreste, sem cerimônia alguma? Rindo e chorando. Impossível conceber uma coisa dessas! Eu deveria estar louco, porém uma voz suave falou pessoalmente a mim – “minhas ovelhas ouvem a minha voz e me seguem”, estava claro aos meus sentidos que Ele falava a língua do povo, a língua simples que o povo entendia. Meu chão ia se esvaindo, meus paradigmas cristãos se abalaram só com o olhar e o sotaque. O que mais viria? O que mais eu veria?

Confesso que naquela hora ouvia a fala Dele sem ouvir o que Ele falava. Me preocupei com Seu sotaque e me esqueci de Sua mensagem. Já estava eu envergonhado de novo. Quantas vezes fiz o que eu acabara de fazer, julguei as pessoas pela fala, pela roupa, pela forma, sem nem atentar para o que elas tinham pra dizer? Eu havia acabado de fazer o mesmo com o Mestre. Agora eu torcia pra que meu chão sumisse de vez!

Tudo ali parecia me contradizer. As pessoas chamadas pelo Mestre de bem-aventuradas eram pobres e suadas. Nem de longe carregavam o estereotipo engomado pelo capitalismo que me fazia entender que alguém era prospero ou não. Era gente sofrida de mais para ser chamada de feliz, mas Ele as chamava assim e eu me chocava com a idéia, já que pra mim ser pobre era sinônimo de infelicidade. E Jesus esta ali dizendo aos pobres que eles eram felizes! Eu me encontrava exatamente como eles ali, pobre e suado, e entendi que só por ouvi-lo eu já era feliz. Sua voz me tornava bem-aventurado, uma consolação inenarrável encheu meu coração. Pela primeira vez na vida eu me senti de fato feliz. Pobre, suado, empoeirado e com sede, porém feliz.

Tantas coisas Ele dizia e todas eu já sabia, mas agora o peso das palavras Dele me achatava, me abatia. Ali sozinho num chão que não era meu eu O ouço bradar: “ Oh gente! Num se aperreiem com os tesouros dessa vida, vale a pena não. Você ajunta aqui e o ladrão vem e rouba, vem a traça e come, a ferrugem acaba com tudo. O bom é ajuntar tesouro no Céu , lá num tem ladrão, num tem traça e nem ferrugem”. Agora eu tinha que questiona-Lo e quase fiz isso publicamente. Por que num dar aos pobres uma esperança aqui, se eles não têm tesouro nenhum pra acumular mesmo? Por que num despertar a fé deles? Dizer que eles podem ao menos sonhar que serão ricos um dia? Quando eu ia falar, aquela brisa interior soprou de novo – “Se espera nas coisas dessa terra você é o mais miserável dos homens”. Esperança não é ilusão é fé que faz a alegria de esperar existir, eu pude concluir então. Então eu vi que tinha enganado muita gente em nome de Deus, prometendo uma esperança vazia de prosperidade e riquezas que nada, nada, nada valia diante daquele que dizia: “Num tenho nem onde deitar a cabeça” e que, mesmo assim, falava de felicidade com a propriedade de quem sabe o que é ser feliz.

- Perdoem os fofoqueiros e falem bem deles. Orem por esses infelizes. Eles não sabem o que é viver em paz.

- Os que maltratam vocês, eu digo que vocês devem amar essas também. Porque se vocês fizerem assim, mesmo que continuem apanhando, uma hora eles verão que sua honra é maior que o ódio deles.

- Os que não se importam com seu frio e com sua fome, pedem que vocês dêem a eles a pouca roupa que têm e a pouca comida que vos resta, aprendam a compartilhar, porque o Pai cuida de vocês. Ele veste as plantas e alimenta as aves, vocês são mais que plantas e passarinhos, por isso não se avexem.

- Primeiro busque o Reino de Deus e sua justiça, todo resto virá pra vocês mais cedo ou mais tarde.

Nossa, era tudo real, prático, vívido. Aquelas palavras tinham cheiro de gente e não de sermão dominical. Uma certeza me invadiu – Eu não tinha entendido nada sobre Jesus, mesmo carregando divisas eclesiásticas nos ombros, eu não O conhecia. Conhecia a minha religião, não conhecia a Cristo. Eu estava envergonhado, mas encontrava nisso um sentido gracioso, pois Ele me deixou vê-Lo.

Seu olhar me toca agora como quem diz: Viu como você não via?

Quando o despertador tocou, eu acordei assustado. As buzinas já se faziam ouvir e a cidade já havia despertado pra mais um dia de sons e cores berrantes. Agora eu estava de volta ao pesadelo real da minha vida confortável. Havia sonhado um sonho bom, lembrava de tudo e, mais ainda, das vergonhas que senti. Não teria apartir de agora o direito de continuar sendo o que eu era até a noite passada. Conheci outros valores, fui olhado por outros olhares, não consigo mais ser um opaco-religioso-urbano. Descobri que não havia avivamento algum, percebi que não era autêntico, que minha fé estava firme nas coisas dessa terra e distante da esperança celestial. Meu Deus quanta miséria a minha.

Agora os afazeres me impedem de continuar confessando e compartilhando, meu terno me aguarda engomado, meu perfume me chama, meu sermão esta pronto desde anteontem e minha igreja precisa de mim assim forte, corajoso e rico. Isso lhes dá uma sensação de poder e segurança. Obrigado gente, mas um povo avivado me espera. Preciso esquecer a vergonha e seguir triunfando. Fico sem chão, mas não posso perder a pose. Bom dia...

Assim termina o sonho e o pesadelo começa.


A Rocha Eterna, nosso chão, não muda e não negocia a Verdade.

Saúde e Paz
Fabio

Monday, July 18, 2011

O DIA DO FINAL DO JUÍZO.



Há algum tempo começaram surgir manifestações anunciando que no ultimo dia 21 de Maio de 2011 aconteceria o arrebatamento e o dia do Juízo Final. Tudo isso foi fruto de uma seita evangélica fundada por Harold Campbell, um amareicano que nos anos 90 havia publicado um livro que indicava o ano de 1994 como o tempo do fim do mundo , especificamente, no dia 6 de setembro daquele ano. A organização Family Radio, com sedes em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil (Belo Horizonte -MG).

A seita arrecadou de 2005 a 2009 80 milhões de dólares. A Family Radio foi fundada por Campbell em 1958, como uma rede de radio cristã, sem fins lucrativos, sediada em Oakland, Califórnia, que contava com cerca de 65 estações radiofônicas espalhadas por todos os EUA. Em fim, 50 anos depois a Family Radio parece ter tido a notoriedade esperada. muito dinheiro foi investido em propagandas em âmbito mundial; muitas pessoas venderam tudo o que tinham e, mais ainda, depositaram sua fé na profecia não realizada. A explicação para o não cumprimento do evento final em 21 de maio de 2011? A data foi mudada para 5 meses depois. Baseando tal argumento em Apocalipse 9.5, a data foi adiada para 21 de outubro deste ano.

Vivemos dias estranhos. Digo isso pensando na constatação de que a pregação sobre a volta de Jesus e os seus sinais, está bastante fora de moda. As teologias triunfalistas, humanista e que vendem uma esperança terrena, roubam do porvir e da promessa de Jesus de levar Seu povo para perto de si, para as mansões eternas o lugar de descanso dos peregrinos do Caminho, o valor desta certeza como base da fé em Cristo. A super valorização das conquistas materiais, das realizações de supostas 'promessas", fazem do seu um detalhe a ser adiado. Na calado destes cometas de distorção da Verdade, nasce a pouca importância a mensagem da 'Sua Vinda", tema não abordado por tele 'evangelistas", já que seus interesses, ao menos pelo que dizem e demonstram, são voltados para Terra e não para o Céu. Da não comunicação sobre a maior promessa de Cristo a Sua Igreja, nasce a falta de importância e a incredulidade em tal Verdade. Perde-se em meio aos crentes a esperança no amanha distante do que o dinheiro pode comprar. Por outro lado, na estranheza destes dias, surgem os Campbells, batendo seus 'sinos" de mentira, anunciando datas, enlouquecendo gente e brincando com a esperança alheia, além de arrecadar milhões com isso. Extremos que caminham para o mesmo fim: pessoas decepcionadas com sua própria credulidade e uma multidão rindo da fé como uma piada de mal gosto contada por um 'bobo da corte cósmica", só para brincar com os miseráveis humanos.

Porém, além , muito além, dos Campbells e dos Showmen da fé, está a Palavra que não passa, ainda que céu e terra passem. Mesmo que tudo acabe Sua Palavra não acabará. Jesus prometeu voltar, prometeu que viria a nós literalmente; que, neste tempo, fará distinção entre "joio e trigo", "ovelhas e não ovelhas", os "seus e os não seus". Jesus voltará. A forma como isso se dará pouco importa, mas será. Não há Evangelho sem essa verdade e certeza. O Evangelho nos tira o coração daqui e o põe onde há tesouros eternos. Aqui tudo é corruptível, mas um dia o corruptível se revestirá de incorruptibilidade.

Nao percamos esta esperança. É ela que mantém viva na Noiva o desejo do encontro com o Noivo para uma eternidade de vida.

"O Espírito e a Noiva dizem vem".

Saúde e Paz
Fabio

Wednesday, July 13, 2011

SER OU NÃO SER? LER OU NÃO LER?




Há pouco mais de dois meses lancei online um livreto sobre a relação do EVANGELICALISMO COM A MENTALIDADE PÓSMODERNA. O Texto é simples, a leitura é rápida e introduz a história do desenvolvimento do pensamento e da cosmovisão atual para comparar a pregação, a teologia e a ética evangélica deste tempo como produto da mentalidade secularizada da pósmodernidade.

Você pode ler o livro baixando o arquivo ou online no próprio navegador.

SER EM TEMPOS DE NÃO SER

Um grande abraço,
Fabio

Wednesday, July 06, 2011

A SAGA DOS HOMENS - PARTE FINAL


Luz, muita Luz. Foi o que ele viu na parte central de sua terra. E que bela terra. Aquela visão foi apenas a repetição do que ocorria diariamente e no mesmo horário. Início da noite, a Luz brilhava e ele se dirigia para o mesmo lugar, se assentava na mesma pedra e ouvia as histórias e lições que seu "Amigo Iluminado" lhe contava. Sempre havia uma expectativa pelo encontro. Mas aquele fim de dia tinha um ar diferente. Os últimos encontros não foram muito confortáveis, não o encontro dele com o Amigo, mas era que, nos últimos cinco dias,a história contada era tão confusa e assustadora quanto as conclusão que Haddahan havia tirado sobre tudo aquilo. Ele já não sabia se queria continuar aquele assunto, mas o Amigo já havia chegado e o chamava para conversar.

- Como vai Haddahan? Ainda preocupado com o que te contei nos últimos cinco dias?

Haddahan tentou não demonstrar que não estava satisfeito com a direção que a conversa, que nem havia começado, já estava tomando novamente. A tal da história dos "homens e dos Homens" perturbava mais que preocupava.

- Preocupado? Não, confuso e enjoado, respondeu Haddaham enquanto mastigava uma folhinha de grama e olhava pro lado ao mesmo tempo em que marcava um ritmo com o pé.

- É Haddaham, nem sempre é fácil entender o que está além de nós, mesmo que esteja diretamente ligado a nós.

- Fácil compreender? Nos últimos cinco dias eu deixei meus afazeres e minha família, sentei aqui como sempre e você me contou uma historinha sem sentido , sempre me pedindo atenção para tudo. Sua história me dava sono na hora, mas me tirava o sono depois. Nesses dias não consegui dormir bem uma noite sequer. Fiquei só pensando no que você me contou, mesmo não conseguindo entender o sentido. Não paro de pensar, estou perturbado e minha esposa e filhos já não sabem o que fazer. Se for algum castigo seu me diga o que você quer e me deixe descansar.

- Meu filho Haddaham, confie em mim, amanhã o descanso é certo. Hoje eu vim pra te dizer aonde quero chegar, ou melhor, aonde você deve dizer para teus filhos para que eles não cheguem. A história que te contei é sobre eles, teus filhos e os filos deles, tuas filhas e as filhas delas e todos os outros que virão.

- Você quer dizer que tudo aquilo é uma previsão? Se for piora tudo. Se for me diga quando, interpelou Hadahham.

- Não há "quando" nessa história, não há o tempo no meu jeito de ver as coisas. Tudo que te disse pode ser sim uma previsão, mas não se pode dizer nada sobre "quando". Se eu quiser te responder quando terei que dizer: sempre. Os homens e os Homens viverão, e tudo aquilo que você ouviu pode acontecer sempre, basta haver homens e Homens.
Enquanto dizia isto o Amigo Iluminado escrevia na areia com um galho de árvores as palavras "homens e Homens".

- Por que isso? Interrogou Haddaham apontando para as palavras escritas na terra.

- Para te mostrar a diferença que as palavras faladas não mostram. Sempre que houver quem se julgue maiúsculo e que considere seu semelhante um minúsculo qualquer; sempre que houver quem faça uso de meias verdades para enganar e oprimir os seus iguais; sempre que houver quem use qualquer meio para não e se sentir mais um, a "Saga dos Homens e dos homens" terá iniciado. Haddaham, conte isto aos teus filhos, diga que contem aos seus e que estes contem aos deles, só eles podem mudar tudo isso.

- E você Amigo, por que nem aparece na história que me contou? Por que não muda todo esse "sempre"?

- Haddaham, eu estou o tempo todo entre os homens e os Homens da historia. O vento é quem trás palavras ditas ao coração e escritas em papel. Aquelas palavras são minhas e eu sou aquelas palavras também. Minhas palavras sou eu entre eles. Eles as distorceram, as transformaram em ódio e luta. Outros preferiram acreditar na mentira dos que os oprimiam do que na simplicidade de meu ensino de Liberdade e Igualdade. Haddaham, minhas palavras sempre serão estas, mesmo que as tentem mudar. Teus filhos é que mudarão ou viverão o mesmo fim, dei-lhes Liberdade e Igualdade para isso. Disse o Amigo

- Mas foi o saber que iniciou toda a crise, toda a diferenciação que oprimiu os homens e exaltou os Homens. Amigo o saber é ruim?

- Você é prova que não é bem assim. Você sabe mais que teus filhos e a eles serve com o teu maior saber. Os soberbos do saber são ignorantes da sabedoria. Não há ali, na história, sabedores e não sabedores, há quem ignorou a sabedoria e quem resolveu não ver a verdade que estava tão clara.

Haddaham percebeu que tinha sido exposto nos últimos cinco dias à seu próprio futuro e que depois deste diálogo as coisas começavam fazer sentido. Mas, apenas para não restarem muitas dúvidas, resolveu fazer uma última pergunta.

- Amigo, então tua história é um aviso? Questionou.

- Também Haddaham, também. Minha história é a tua História, mas pode não ser.

O Amigo Iluminada levantou-se, pôs a mão sobre a cabeça de Haddaham, beijou-lhe a testa e caminhou, como sempre fazia para a parte interior da floresta de Dilmun, onde os rios fazem a terra florescer. Enquanto andava iluminava tudo em sua volta e dizia:

- Haddaham, aproveite bem o descanso de amanhã e mande um beijo para esposa e as crianças. Diga que quero vê-los depois de amanhã aqui. Eu trarei pão e peixe pra gente assar. Traga o vinho Haddaham. Bom descanso para nós.

O homem levantou-se e se foi a luz do luar em direção a sua casa, de onde o cheiro de comida boa já inundava o ar. Fez carinhos nos bichos que se aproximavam dele enquanto caminhava.
Foi recebido pelos seus dois filhos com um abraço nas pernas e pela esposa com um beijo acolhedor. As meninas penteavam os cabelos e do quarto gritaram, " papai que bom que você chegou".

- Hoje na hora do jantar papai vai começar a contar uma história para vocês, foi o Amigo que me contou. Ah, depois de amanha, o Amigo quer lanchar com a gente, pão, peixe e vinho.

Um sonoro "Eeeeeeeeeeeeeebaaaaahhhhhhhhhhh" de comemoração foi dito pelas quatro crianças ao mesmo tempo. Yonnah, esposa de Haddaham, sorriu.

Se não fosse a história que o pai contava e era ouvida com toda atenção pelos pequeninos, nada de novo aconteceu naquela noite na casa de Haddaham e Yonnah, inclusive a mesma briga de sempre: seus filhos homens sempre disputavam quem iria sentar-se ao lado direito do pai.

Aqui termina ou começa a nossa saga.

Fabio

Thursday, June 30, 2011

A SAGA DOS HOMENS (PARTE 5 - Penúltimo Capitulo)


O que se seguiu foi o clímax da tensão que sempre houve entre os dois grupos humanos. O que nenhum deles poderia imaginar era como tudo aquilo acabaria.

Os Homens estavam como bestas encurraladas, prontos para atacar quem viesse ameaçá-los para protegerem suas próprias vidas. Então, eles se armaram e se revesaram em vigiar as muralhas e o grande portão onde o corpo do Homem assassinado jazia pendurado pelo pescoço. Os senhores se prepararam para a guerra. Todas as armas disponíveis foram preparadas para o uso imediato. O primeiro super Homen, o que começou todo o legado de manipulações e meias verdades, o primeiro a provar o poder como ópio e a disseminá-lo como ideal, preparou-se para a possibilidade de revelar o seu maior segredo, um conhecimento que só ele tinha e que nenhum dos Homens sabia nem sequer de sua existência. Os Homens não sabiam tudo que o primeiro super Homem sabia.

Enquanto isso, na terra dos homens, o que se via era o contrário, a tensão era de gratidão e curiosidade. Eles prepararam um grande cortejo com todas as famílias levando presentes, flores e homenagens aos Homens que, para os servidores, haviam vingado, ou começado a vingar, o sangue inocente de seus filhos e velhos, mulheres e irmãos. Haviam muitas oferendas aos deuses dos Homens. Era comum em meio à euforia achar quem estivesse certo que a vingança estava sendo promovida pelos deuses. Os homens voltaram a crer nos deuses dos Homens.

Liberdade e igualdade também eram lembradas, mas os homens fizeram questão de não fazer referencia as palavras consideradas mágicas porque sabiam que elas haviam, outrora, irritados os Homens. Aquela não seria uma noite de confrontos de idéias divergentes entre servos e senhores, aquela seria a noite de expressar gratidão e de ver o primeiro culpado dependurado pelo pescoço no portão do palácio. Os outros assassinos certamente morreriam logo. Uma grande marcha começou, a frente as crianças, depois as mulheres e os mais jovens, os velhos logo depois e por fim os homens adultos segurando tochas acesas. As crianças traziam ramos de flores, assim como as mulheres e os idosos. Os jovens levam panderolas que acompanhavam antigas canções. A frente de todos os homens duas belas moças carregavam uma faixa com a frase "Os que têm fome e sede de justiça serão saciados", escrita em vermelho sangue.

Do alto da muralha que cercava os palácios, o que o Homem que vigiava naquela hora viu e ouviu, diante da expectativa e do medo da esperada rebelião dos homens em cumprimento a ameaça escrita que, supostamente, fizeram, foi a imagem e o som de um batalhão em efusiva marcha. Ele ainda não conseguia ler o que estava escrito a frente dos milhares que marchavam, mas não tinha duvida, era um ataque. Quando a luz das tochas acesas iluminou o horizonte o vigia imediatamente tocou o alerta. Todos os Homens, infinitamente menos numerosos e mais perigosos, tomaram seus postos na muralha e engatilharam as armas. Fuzis, metralhadoras, lança granadas e uma grande quantidade de munição, tudo isso já estava preparado na parte mais alta do muro. Os Homens não perceberam, mas o primeiro super Homem não os acompanhou. Ele ficou na parte superior de seu castelo,trancado em uma torre, de onde via tudo e todos sem ser visto por ninguém.

O Primeiro tiro foi dado imediatamente após um dos Homens ler a frase que ia a frente dos homens. Só podia ser mais uma ameaça. Para os Homens os homens sabiam de tudo. O que se seguiu foi uma carnificina, um genocídio. Os Homens cheios de ódio e medo, não ouviram as canções, não viram as flores e nem as crianças, eles queriam era preservar o poder que haviam conquistado. Mataram todos os que iam a frente do gigantesco cortejo. Mais uma vez crianças , mulheres e velhos banharam o chão com seu sangue inocente. Os homens que vinham atrás tentavam se proteger , mas, ao mesmo tempo queriam fazer parar aquilo tudo. Incrédulos diante da terrível visão e do som aterrorizantes dos tiros e das granadas, eles tinham diante de si um dilema: lutar e morrer ou correr e abandonar seus mortos? A segunda opção era impossível de ser realizada. Escondidos em meio as árvores e pedras eles se lembraram da Liberdade e da igualdade; lembraram de como foi duro descobrir que seus senhores os queriam cegos, ignorantes e manipuláveis; lembraram do dia em que suas ruas foram invadidas pela covardia e, da forma mais brutal possível, voltaram a ver que os Homens não eram seus amigos e que, as mesmas armas de fogo que mataram suas crianças, uma vez mais, voltaram a rugir forte e mortalmente sobre inocentes.

Uma cortina de saber se abriu diante deles. Os homens entenderam o plano dos Homens. Para os servos o objetivo dos senhores era aquilo que estava acontecendo mesmo: uma emboscada para acabar de vez com os homens. "Vamos lutar" Falavam entre si. "Pela liberdade e pela igualdade". Enquanto os Homens ainda atiravam os homens preparam pedras, paus, foices, ancinhos e o que pudesse ser utilizado como arma. Alguns conseguiram voltar a vila e trouxeram arcos e flechas, lanças e fundas, distribuindo armas aos sobreviventes que se esconderam na floresta.

Um grito de cessar fogo veio do alto da torre. Era o primeiro super Homem que, enganado pela nuvem de poeira e som dos tiros, não vira que vários homens sobreviveram ao ataque, menos ainda que estes sobreviventes eram os adultos. Agora era preciso conferir se todos estavam mortos, mas quem tinha coragem de sair da proteção da muralha sozinho? "Vamos todos", concluíram os Homens achando que assim estariam mais seguras ante a uma eventual ameaça, se é que isso era possível. Para os Homens a ameaça acabava de morrer.

O ódio fez com que os homens não raciocinassem mais. Quando uma fresta do grande portão se abriu para que os Homens saíssem, a reação foi imediata. Os sobreviventes correram em direção a entrada da muralha e atiram suas flechas e pedras contra os dois Homens que saíram primeiro. Os dois caíram mortos. Eram cerca de duzentos homens invadindo o território dos Homens, pisando onde homem algum pisara. Outros homens jogavam pedras e paus de fora para dentro das muralhas. Não houve tempo para reação. Os Homens foram destroçados pelos homens que, enlouquecidos de ódio, rasgavam com unhas e dentes a carne de seus corpos. Seus senhores jaziam em suas mãos aos pedaços.

O primeiro super Homem estava aprisionado na torre. Não podia sair dali. Enquanto os servidores destruíam tudo que viam pela frente, entrando e incendiando as mansões, o Homem pensava no que fazer, porém ele sabia que não tinha muitas opções, na verdade ele sabia que só tinha uma opção: utilizar o conhecimento que só ele tinha, que nenhum dos Homens soubera e que os homens nem sonhavam em saber. O Homem tinha em suas mãos uma pequena caixa metálica, ali um dispositivo de destruição em massa preparado por ele mesmo durante anos de pesquisa solitária. O Homem tinha uma bomba nuclear em suas mãos. Ele podia acabar com tudo. Quando a porta da torre recebeu a primeira pancada e os sons de gritos e dos dentes rangendo de ódio foram ouvidos pelo Homem, ele, solenemente, tomou seu último copo de whisck, acionou o dispositivo e jogou-o da janela da torre.

Como um flash a saga dos homens e dos Homens terminou.

Continua...

Friday, June 17, 2011

A SAGA DOS HOMENS (PARTE 4)


Depois destes fatos uma única pergunta se fez presente entre Homens e homens: Quem enviou as mensagens? Senhores e assenhoreados se questionavam sobre a mesma questão. Quem?
As respostas que surgiram também foram bem parecidas, já que os homens desconfiavam que os Homens haviam enviado de alguma forma o tal recado e os Homens estavam convictos de que os homens foram os remetentes da misteriosa e ameaçadora mensagem. Neste ponto é que estavam as diferenças do desenrolar da história que envolveu os cartazes que os dois grupos receberam. Os homens fizeram questão de espalhar em todas as vielas, ruas e casebres o que acontecera na taberna e as famílias dos mortos no massacre reviveram a esperança de que a vingança viria em forma de justiça, que os cavaleiros assassinos seriam descobertos, julgados e mortos. Os homens também acreditavam que os seus senhores, os super Homens, com seus deuses e seus corações bondosos, que se fizeram presentes na hora que eles mais precisavam, no dia em que suas ruas e almas se encheram de sangue inocente, eles, que ainda juraram enforcar os monstros covardes, teriam enviado de alguma forma desconhecida e mística aquela pequena mensagem que reafirmava a promessa da vingança. Foi esta crença que se espalhou entre os homens. Eles não sabiam a verdade.
Enquanto os servos bebiam da esperança na justiça dos Homens, estes se envenenavam nas fontes do ódio, da desconfiança e do medo. Eles se sentiam ameaçados, juraram manter tudo sobre a tal mensagem em segredo. Um desconfiava do outro. Alguém tinha revelado aos homens que eles, os Homens, eram os causadores das noventa mortes, só que os únicos que sabiam disso estavam juntos na hora em que a ameaça chegou. Haveria um traidor entre eles? Mais ainda, o que os homens estavam preparando para se vingarem? Uma invasão dos palácios? Os Homens sabiam que se houvesse uma rebelião dos homens, muitas vezes mais numerosos do que os super Homens, seria impossível detê-los. Até agora os subalternos foram controlados pela força da crença e do medo, mas para os Homens, tudo isto estava prestes a explodir. Culpa do traidor.
Sentados envolta da mesma mesa onde comemoravam suas vitórias, na mansão do primeiro Homem, cenário de bestialidades orgiásticas e segredos bem secretos, uma decisão deveria ser tomada, matar o traidor. O detalhe, ele estava assentado em uma das luxuosas cadeiras que envolviam a mesa de madeira talhada a mão. Silêncio; ninguém se entregaria. Resolveram lançar sorte. O escolhido morreria e seu corpo seria pendurado no grande portão da muralha que separava o mundo dos homens e os palácios dos Homens.
A sorte foi lançada e caiu exatamente no Homem que naquela noite havia aberto a porta e visto o cartaz pela primeira vez. Estava claro, foi ele mesmo o traidor, ele sabia de tudo e havia facilitado a entrada de algum dos homens, um imundo e petulante servo. O Homem condenado a morte desabou do alto de sua presunção. Chorando desesperadamente ele jurava que não havia sido ele, que não traíra seus iguais e que não sabia de nada sobre a ameaça. Ofereceu-lhes suas riquezas, mulheres, escravos; chorou e implorou. Nenhuma resposta diferente do silencio de seus pares ele recebeu. Foi levado aos fundos da mansão, amarrado, amordaçado e, enquanto clamava por piedade teve suas vísceras expostas pela lâmina da espada do primeiro homem. Como forma de misericórdia, diante do sofrimento, um dos Homens deu-lhe um tiro entre os olhos. Silencio. Seu corpo foi pendurado no gigantesco e imponente portão. Quem olhava de longe via um corpo enforcado.
Os senhores assentaram-se a mesa e brindaram. Todos sabiam que nenhuma vida, nem a deles mesmo, valia mais que o Sistema que eles haviam criado. Agora era se preparar para o ataque dos homens - a sub-raça que havia descoberto a identidade dos assassinos de seus filhos, mulheres e anciãos. Os Homens estavam prontos para guerra, para matar e matar.
Na cidade dos homens as ruas eram inundadas de um sentimento de gratidão e a sensação de que algo aconteceria em favor deles, algo ao menos, aliviaria aquele vazio de quem perdeu quem amava sem nem saber por quê. Havia esperança, seus senhores, os Homens, estavam ao seu lado.
De repente chega correndo e esbaforido um jovenzinho vindo do lado dos castelos. Ele havia ouvido gritos vindos de traz dos muros, gritos que foram abafados e silenciados. O rapaz disse ter ouvido um estampido também. Porém seu maior susto foi te presenciado de traz de uma árvore o enforcamento de um home eviscerado. O menino descreveu um cenário de horror e disse ter chegado perto, ainda que amedrontado, para ver quem era o infeliz pendurado pelo pescoço. O menino dizia - "O rosto está desfigurado".
O rapaz assustado pelo que vira não entendeu quando sua cena de pavor foi comemorada com abraços e vivas. Alguns minutos forma necessários para que ele lembrasse a promessa dos super Homens de enforcar os culpados. Tudo fazia sentido, a vingança começou.
Imediatamente os homens começaram a organizar uma multidão grata e curiosa. Todos queriam ver o corpo e também agradecer de alguma forma a seus senhores. Eles prepararam presentes e, naquela noite, pretendiam cercar a muralha de flores e invadir os palácios com canções.

Os homens amavam os Homens. Os Homens tinham medo dos homens.


Continua...

Thursday, June 02, 2011

A SAGA DOS HOMENS (parte 3)



Os Homens voltaram para suas casas em dois carros. Na verdade grandes e caríssimos carros de luxo que conduziam para mansões aqueles seres bestializados pelo poder e pela corrupção de seus caráteres. A cena era bizarra no interior dos dois carros. Os Homens voltaram a rir e durante a viagem, mais que sadicamente, contabilizavam quantos homens cada um tinha matado na noite anterior. Detalhes mórbidos ainda eram relatados: pedidos de misericórdia; agonias; alvos que correram e foram atingidos em movimento. Cada um se vangloriava de suas atrocidades. Era nesse clima de quem golpeou mortalmente seu inimigo que os super Homens voltavam para casa, brindando a vitória com vinho raro e em taças de cristal.

Os homens lutavam agora para se reconstruir em meio ao caos. Caos que destruíra suas almas. A cidade estava em silêncio. O silêncio perdia para choros e gemidos de dor. Havia muitas coisas no ar, muitas dúvidas. Revolta, ódio, incredulidade diante dos fatos. Algumas famílias ainda voltavam do sepultamento dos seus entes queridos; algumas famílias haviam morrido junto com seus filhos.

A noite já caia quando alguns homens se encontraram na única taberna aberta. Ainda havia medo dos cavaleiros voltarem, também não havia nenhuma vontade de conversar sobre nada. Até que alguém murmurou - "Os deuses nos julgaram. Fomos amaldiçoados".Todos pareceram concordar. Outro homem entrou na taberna transtornado. O ódio e a dor estavam encarnados nele. Ele bebeu uma caneca de cerveja como o sedento que recebe um copo d'água e, logo após o ultimo gole, sentenciou - "Foram os terroristas que colaram os cartazes que mataram nossos filhos. Esses assassinos que se dizem libertadores fizeram isso para culpar nossos senhores que vieram aqui para nos estender as mãos e ainda trouxeram seus deuses para nos consolarem. Temos que descobrir quem são, matá-los e exibi-los em praça publica". Com murmúrios e quase nenhuma convicção os homens que bebiam na taberna aquela noite pareceram dizer sim a sentença, só que ninguém se levantou para nada.

Poucos perceberam o rapaz de camisa preta sentado no canto direito do bar. As sombras da luz indireta na mesa de bilhar escondiam o rapaz. A mesa, sempre cheia de homens e de copos, naquela noite, estava abandonada. O rapaz se levantou, cabisbaixo, mas decidido, tocou os ombros do homem que acabara de sentenciar os "Libertadores igualitários" a morte. O rapaz olhou nos olhos vermelhos de tanto chorar daquele pai que havia perdido seus filhos no massacre e, convictamente, falou: "Me mate, quero ser o primeiro.”

A chegada na mansão de um dos super Homens mantinha o mesmo clima de festejo. Uns parabenizavam os outros pelo plano genial e, agora, era só esperar que os homens culpassem uns aos outros e se destruíssem, assim, todo aquele fulgor ideológico viraria cinzas. "Quem vai lembrar de ideal enquanto chora de saudade", debochavam. A idéia de voltar nas vielas dos homens e oferecer-lhes conforto era louvada como a mais genial. Brindavam a inteligência e o poder de manipular suas marionetes de carne e osso. Seus olhos destilavam prazer e orgulho. Estavam bêbados da mais viciante e destrutiva das drogas, o poder, o inebriante gozo dos ditadores, a força motivadora dos egocêntricos, o tesouro dos psicopatas. Um dos homens que voltava para a sala de comemoração depois de usar uma de suas escravas sexuais, soltou a melhor piada da noite - "Senhores, vocês sabem a diferença entre a cocaína e o poder? Cocaína eu compro, uso, sinto e quero mais; o poder me comprou, me usa, me faz sentir e eu quero muito mais", muitos risos se ouviram. Cocaína é um vicio que alguém fornece ao comprador, o poder é fornecido e comprado pela mesma pessoa. Ambos demandam muitas mudanças para saírem das veias. Uma série rápida de batidas secas na porta da mansão assustou os poderosos. Quem conseguiria passar pelos guardas e pelos cães? Quando um deles abriu a pesada peça de madeira massiça que fechava o enorme saguão de entrada da casa, não havia ninguém do lado de fora, mas um bilhete fora deixado no chão. Nele podia ser lido, escrito com letras de forma vermelhas: "NÃO HÁ NADA EM OCULTO QUE NÃO SEJA REVELADO". Quando os Homens leram isto suaram frio e sentiram-se ameaçados. Pela primeira vez em muitos anos eles tinham duvidas.

Na taberna, uma confusão se armou, uns diziam que a confissão era clara, já que a camisa preta que o rapaz vestia trazia no peito um pequeno símbolo com as inicias L.I que identificaram, rapidamente, como significando que o rapaz era membro do grupo que colara cartazes desafiando os poderosos. Foi em meio ao falatório que um forte vento abriu a porta e fez bater as janelas do lugar. Junto com a ventania entrou voando bar a dentro, além de folhas secas e poeira das ruas, um papel branco do tamanho de uma página de jornal que "pousou", exatamente, no balcão onde os clientes eram servidos. Houve um silencio assustado com o bater das janelas de madeira que envolvia a pequena taberna. Todos temeram um novo ataque. Um único curioso acompanhou com os olhos o tal papel que voava. Pegou a pagina e o susto foi maior ainda. Com letras vermelhas, em caixa alta, o homem leu: "OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA SERÃO SACIADOS". Imediatamente, o homem, aproveitando o silêncio que o vento produzira, leu em voz alta. Os homens pareciam congelados por aquelas palavras.

E o rapaz condenado? Diante do silêncio explicou que, os três primeiros homens a serem atingidos pelos tiros dos mascarados e que conversavam enquanto bebiam na calçada daquele mesmo bar, eram os líderes do L.I. Dois deles eram seu irmão e seu primo. Morrer para ele, não era confissão de culpa, era a única forma que via de, literalmente, matar a saudade.

Os homens e os Homens desconheciam os fatos.

Continua...

Monday, May 30, 2011

A SAGA DOS HOMENS (PARTE 2)



Entre "a igualdade" e a "liberdade" dos homens e o poder dos super Homens, um tempo cinzento se abateu sobre aquela terra. Os senhores perseguiam e matavam os que diziam em público as tais palavras proibidas, elas eram considerados subversivas e, portanto, dizê-las e/ou proclamá-las era considerado ato de rebelião, que deveria ser detido a todo custo. E custou mesmo a vida de muitos e a retirada de outros do convívio social. Estes últimos ou eram lançados na cadeia ou eram enviados para terras muito distantes, incomunicáveis (esta é outra historia).

Em contra partida os homens comuns, servidores, além de terem desenvolvido habilidades com as artes, agora tinham a potência do ideal nas mentes. Eles reagiam de forma desafiadora contra os poderosos. Eles já sabiam que toda aquela mística, base do poder dos Homens, era relativa e não passava de uma invenção deles mesmo. Reconheciam que a idéia era boa, mas que estava edificada sobre alicerce mentirosos e que,seus senhores, só queriam manipulá-los. Na maioria das vezes o discurso era persuasivo a ponto de roubar a mente e as convicções. Agora eles realmente lutavam contra isso. Começaram a avisar uns aos outros -"não os ouça"; "cuidado com as suas mentiras"; "pensem, vocês são iguais e livres para escolher seus caminhos"; "fujam do caminho da mentira e da a manipulação". Alguns, mais exaltados, se entregaram a uma guerra silenciosa, mas armada e sangrenta. Criaram artefatos explosivos e os colocavam onde os Homens estariam discursando, por exemplo. Das poucas vezes que realmente as bombas funcionaram mataram apenas homens que assistiam os inflamados discursos dos ditadores, não causando dano ao alvo pretendido. Na verdade, nenhum ditador morreu assim. Teve quem se fingira de morto, mas que continuou articulando junto aos demais senhores para manterem o poder e calar seus adversários rebelados. Estes se protegiam atrás da morte.
Os homens revoltados reuniam-se semanalmente, escondidos. Veladamente contavam como foi bom e difícil ter enxergado a luz. Outros contavam como conheceram "liberdade" e "igualdade". Estes eram discursos bem emocionas. Um tema era recorrente nestas reuniões que aconteciam no subterrâneo da cidade, a decepção de quem acreditou e serviu aos Homens crendo que assim serviam aos deuses. Sobre isso sempre falavam que a decepção com os Homens tornara-se ódio, tanto dos opressores, quanto de sua própria tolice e cegueira, quando não viram o que estava explicito: o sorriso e os abraços dos Homens escondiam perfis possessivos de verdadeiros vampiros dominadores, que manobravam com a culpa e a credibilidade de gente simples. Os que contavam este lado da história eram tratados com afeto pelos seus companheiros. Sempre se tentava fazer com que desistissem da idéia de se aliarem aos que abraçaram a luta armada contra os senhores da terra. Para eles se voltavam as atenções e os abraços, também procurava-se dizer-lhes: "descobrir o valor da igualdade e da liberdade sempre traz consigo a dor de ter vivido o inverso de nosso ideal,mas é melhor a dor da decepção do que viver eternamente no conforto do engano". Nada disso foi escrito e tudo se guardava na memória.

Nos palácios os super Homens também se reuniam. Assentados em torno da gigantesca mesa da casa real do primeiro Homem, ele e seus seguidores riam do idealismo dos subalternos. Contavam anedotas com as notícias que lhes chegavam aos ouvidos de como se vivia igualitária e livremente nas aldeias de seus servidores. Naquelas reuniões eles também inventavam mitos de como seus deuses castigavam os que não se sujeitavam a eles mesmos, que deveriam sempre ser vistos como seus (dos deuses) fiéis e santos representantes. Os Homens destilavam sarcasmo. Juntos aos pratos caros devorados rapidamente sempre se ouvia histórias que ridicularizavam os homens. Havia também a decisão de matar ou expulsar os prisioneiros, mas na maior parte do tempo o que se ouviam eram gargalhadas. Eles estavam seguros pelos muros do poder.

Era um fim de tarde chuvoso na terra dos homens, o vento frio trazia uma garoa gelada que empurrava os ânimos para debaixo das cobertas. Quando a noite chegou, as ruas estavam vazias e mais frias ainda. Alguns homens da iniciativa armada saíram as escondidas e colaram cartazes nos postes e muros. Nos cartazes podia ser lido: "Morte ao opressor". O cartaz era assinado por um grupo até agora desconhecido pelo nome. Até então ninguém ouvirá falar dos "Libertadores Igualitários", que ainda utilizavam o slogan "pela morte ou pela paz, liberdade e igualdade". O slogan estava no cartaz abaixo do nome do grupo.

Logo pela manha, quando os primeiros cartazes foram lidos, houve medo. Qual seria a reação dos super Homens? O que estava acontecendo com os homens que, até então, mesmo trabalhando para os Homens, viviam em suas vilas e ruas o ideal de igualdade e liberdade? Todos sabiam dos atentados fracassados e das reações sádicas dos senhores que as bombas causaram. Agora eles tinham uma declaração pública de guerra. Coisa que a maioria já não queria, ao menos não mais.

A noite caiu novamente e os Homens se reuniram de novo. Agora o clima de sarcasmo dava lugar a necessidade de mostrar a força. Eles prepararam um plano complexo que começaria imediatamente com a invasão das vilas e vielas dos homens e com o assassinato, indiscriminado, de quem encontrassem pela frente. No dia seguinte a esta reunião os Homens montaram seus cavalos, vestiram roupas pretas e máscaras enquanto aguardaram o anoitecer. O objetivo da missão macabra era matar o maior número de pessoas possível, preferencialmente os indefesos. Irreconhecíveis pelos disfarces, os senhores seguiram através das ruas dos servidores assim que a noite caiu. Com armas em punho atiravam em todos os que estavam fora de casa. Os primeiros atingidos e mortos foram três homens que bebericavam e conversavam sobre tudo e sobre nada após um dia de trabalho, eles caíram mortos com tiros na cabeça. Dois outros cavaleiros se depararam com crianças jogando bola de gude e, sem nenhuma piedade atiraram e mataram-nas ali mesmo. Depois disso, o gosto de matar e a sensação de poder fez com que os Cavaleiros de Negro gostassem da coisa, então foram quarenta minutos de tiros, estupros, corpos arrastados e cabeças estouradas. Ninguém, nem em seu maior pesadelo, sequer ousou pensar em ver as cenas que foram vistas. Naquela noite os homens contaram seus mortos, noventa, a maioria velhos, mulheres e crianças.

No dia seguinte, estranhamente, os super Homens visitaram os homens. Entraram nas ruas manchadas de sangue e cortadas por choros e gritos de dor. Seus passos eram lentos e pareciam pasmos com o que viam. Eles levavam seus deuses nos ombros. Se dirigiram ao local onde as primeiras crianças foram alvejadas onde um deles gritou e logo foi seguido pelos demais - "Nossos deuses vingarão o sangue inocente que caiu esta noite nestas terras. Juramos pelos nossos pais, nossos deuses e nossa honra que enforcaremos aqui cada um dos monstros que vos macularam".

Os homens enterravam seus mortos. Os Homens voltaram gargalhar.

Continua...

Wednesday, May 25, 2011

A SAGA DOS HOMENS (PARTE 1)



Um dia o Homem começou a olhar para si, viu uma obra prima, um ser que era capaz não apenas de saber sobre as coisas, mas , também,era capaz de saber que sabe e saber que não sabe. Apartir de então nosso personagem ,que era inventor por profissão e natureza, cresceu. Tornou-se mais que um inventor, ele descobriu como compreender fenômenos, curar doenças, entender mistérios e ver além das fronteiras dos olhos. Criou máquinas, atravessou barreiras, duvidou do indubitável e se tornou livre das amarras acusativas da moral. Ele se tornará um super Homem. Ele se gabava, olhava no espelho e via a imagem de si mesmo glorificada por suas obras e seus saberes.
O Homem ainda percebeu que suas mãos eram capazes de criar o que os olhos e ouvidos chamavam de belo. Todas as artes estavam em suas habilidades intelectuais e intuitivas; as cores lhes serviam como escravas submissas; seus deuses, ele mesmo criava. Até o sagrado pertencia a ele, o mago e o santo, o senhor, o Homem.
Numa tarde ele descobriu sua maior qualidade: persuadir e dominar, principalmente sobre os que não perceberam que poderiam ter as mesmas capacidades do Homem. Estes foram facilmente domados, ou como o senhor de todos dizia, "foram domesticados". Além das cores, agora, seus semelhantes o serviam. Eram inferiores, não eram homens como o Homem, eram sub homens.
Tendo criado os seus deuses e dominado seus amigos ele agora lhes impunha como cultuar, seguir e obedecer seus senhores esculpidos por ele mesmo. Seus deuses sempre diziam aos amigos serviçais: "sirvam ao Homem, ele é o melhor amigo de vocês. Tudo que fizerem a ele terão feito a nós". Tendo dito isso, os deuses do Homem, através do Homem, dominaram os sub homens para o super Homem.
O nosso personagem descobriu nos deuses os maiores aliados de seu poder e genialidade.
O Homem cresceu ainda mais e se multiplicou. Como exemplo de sucesso ele gerou admiradores que quiseram seus saberes e seus poderes. Bastou reproduzir os mesmos métodos e ,agora, havia um batalhão de Homens e uma enorme inumerável multidão de sub homens, todos submissos a seus verdadeiros senhores, seus amigos, os super Homens.
Um dos subalternos servidores ouvira falar de uma palavra que tinha poderes mágicos acima do poder dos deuses. A palavra não podia ser dita em qualquer lugar, pelo menos não na presença de seus amigos senhores. Mesmo assim a tal palavra se espalhava com aquele marketing do "só conto pra você porque és meu amigo". Em meses todos os servos conheciam a tal da palavra "igualdade". E a coisa virou moda. Começou a ser cantada, escrita, dançada, esculpida pelos sub homens, que, ao verem o que fizeram, apenas com a "igualdade", perceberam que também eram capazes de criar arte e, assim, começou o fim da amizade entre eles e seus amigos senhores de tudo. Porém, o fim mesmo, foi com a descoberta de uma outra palavra sagrada que viera do oriente, essa cantada pelo vento. Vários homens ouviram de uma vez só, o sussurro:"liberdade". O mesmo processo e o mesmo fim. Liberdade virou arte e a arte os fez mais um pouco livres e iguais. Já não viam os deuses como senhores. Descobriram que os Homens criaram os deuses para se assenhorearem deles, que eram ironicamente tratados de amigos e que não passavam de coisas para seus superiores. Eles tinham nojo da superioridade e diziam nas ruas , nos becos, nos bares e nas casas: "a igualdade nos trouxe a liberdade". A vida agora fazia sentido.
Isso não ficou barato, custou-lhes a vida, custou-lhes a obrigação de esquecerem as tais palavras transformadores. Os Homens ficaram mais rigorosos e impuseram mais diferença e servidão.Já não se chamavam de amigos. Eram senhores e servos no chamar, mas na alma eram traidores e traídos, esmagadores e esmagados, respectivamente. Ódio, foi o que se criou entre eles, estavam mutuamente revoltados, feridos e decepcionados. Os dias ficaram cinzas, a vida perdeu a cor. Os Homens matavam os homens e os homens tentavam matar os Homens. Ambos corriam riscos.

Continua....

Monday, April 25, 2011

CAMINHO E CAMINHADA



No meu caminho já tive dias de sol. O azul do céu, cheiro de mato, o mar calmo e morno a água limpa, o vento suave, nestes dias, me faziam navegar tranquilo e esquecido de que navegar é preciso, independente das condições que se apresentam. No meu caminho o sol já faltou, já houveram dias de nuvens altas e garoa fina, dias daqueles que o frio de fora nos convida pra não fazer nada, mas já houveram nuvens baixas, tempestuosas, pancadas destruidoras que fazem a gente questionar se o verão vale apena. Já vi o mar nervoso, já vi mar sereno.

No meu caminho já andei na sombra. Atravessei um rio com as aguas geladas e limpas nas canelas, depois de dirigir quarenta quilômetros em estrada de chão no cerrado do planalto central. Melhor ainda, estava na companhia de bons amigos. Já vi rios descomunalmente lindos e já atravessei mata fechada só para ver a margem de um deles e tentar pescar. Só consegui olhar, mas ver o que vi valeu por muitas pescarias. Só que neste meu caminho já andei e nada vi, já fui certo que havia e não estava lá. Já andei sozinho, mesmo cercado de gente e também já caminhei sozinho e sozinho. Já me cansei e nem notei que a paisagem era bela. Já quis parar e descansar, dormir e nem sonhar.

No meu caminho já sonhei, vislumbrei, acreditei e conquistei. Mas já senti o gosto amargo e enjoativo de sonhar, vislumbrar, acreditar e me frustrar.
No meu caminho já tive amigos que estiveram presentes e que me achavam um bom amigo também. Decepcionei alguns e me decepcionei com outros tantos. Já fui aplaudido e já fui ofendido. As curvas da caminhada escondem dos olhos a possibilidade de ver o que nos espera depois delas. Só a fé e a esperança, companheiras de caminhada, nos ajudam a encarar as curvas.

No meu caminho eu faço a seguinte cronologia: aos 19 eu tinha uns 25 anos; aos 23 fiz 35; aos 27 já tinha mais de 43 e aos 35, quando vi os primeiros cabelos brancos aparecerem e um bocado de outros começarem a se ausentar, eu tinha a certeza que já passava dos 50. Aos 36 fiz 36. Hoje tenho 41.

No meu caminho já vi fartura, mesa cheia, opções e dei graças por isso. Vi gente chique, etiqueta, o vinho bom. Já fui em festa muito cara e já comi em restaurante que nunca pensei entrar. No meu caminho conheço o não ter nem a mesa e falta de opções, dei graças por isso. Já fui a festa que nem o aniversariante foi. Já fiquei em hotel 5 estrelas. Já fiquei em hotel que não tinha nem céu, que dirá estrela.

No meu caminho vejo meus filhos crescendo e caminhando e me lembro de quando nem andavam sozinhos. Ouço ainda as suas vozes dizendo: “Pai brinca comigo?” Infelizmente varias vezes respondi que não poderia porque tinha que trabalhar ou estudar. Hoje, por vezes ,me pego pedindo: “Filho, vem brincar comigo.” E ouço as mesmas respostas que dei. Eles já começaram a construir o caminho deles.

Meu caminho é assim, igual ao seu. Nesta caminhada sigo no Caminho, buscando a Verdade, tendo como o alvo a Vida.

No amor de Quem é em si Caminho e caminhada.

Fabio

Saturday, March 26, 2011

EXPLODE CORAÇÃO.


Coisas que eu não gosto mesmo, de jeito nenhum:
De falar mal dos outros;
De comida mal feita;
De ver meu time perder;
De ver meus filhos brigarem (rrsrsrsrs eles quase não fazem isso);
De ler obrigado (pq alguem me empresta um livro e me cobra: já leu, ja leu);
De musica chata e grudenta (exemplo: vou não...);
De violão desafinado;
De crente chato;
De gente que acha que eu sei tudo (putz , isso me irrita);
De quem ama o Pr. Fabio Teixeira, mas despreza completamente o Fabinho Rebôla;
De quem abusa dos outros;
De quem manipula a fé alheia;
De desmarcar pescaria (e depois saber que ...);
De não ter minha esposa por perto;
De não poder ser quem eu sou;
De guerra de egos e frescuras de vaidade;
De frescuras em geral;
De homem carinhoso de mais;
De corvardias e calunias;
De homem que se afirma na violencia (são covardes e idiotas);
De filme que não desenrola( a historia fica patinando e derrepente...acabou).

E há tantas outras coisas que não gosto que nem sei mais enumerar.
A maioria destas coisinhas horrorosas eu tenho que surportar, algumas com significante frequencia, são meios de eu ficar mais paciente e manso, ou de me enlouquecer de vez.
Escolho a primeira opção.

No amor de Jesus, que nos ensina a amar o próximo, mas a amar a nós mesmo também.
Saude e Paz,

Fabio

Thursday, March 17, 2011

LIDERANÇA INTERROMPIDA (reeditado)



A demolição das identidades é um dos principais efeitos da pós-modernidade. Este fenômeno é uma crise de conceitos. A família é um bom exemplo disto, pois aquele modelo familiar de pai, mãe, e filhos, já não é o único existente. Hoje já se admitem “famílias” formadas por pai, pai e filho; mãe, mãe e filho. Por esses caminhos, uma identidade deformada de valores se edifica em substituição a outras consideradas obsoletas. Este fenômeno pós-moderno atinge a sociedade contemporânea como um todo, entretanto sua atuação é sutil, silenciosa e eficiente.

Quero aplicar este conceito de descontrução a questões de liderança. Aliás, o tema também esta na moda. As lojas de livros estão lotadas de títulos sobre gestão, gerenciamento, e afins. E as pessoas estão lendo e estudando liderança como nunca. Nas empresas, igrejas e organizações em geral, liderança esta na pauta do dia.

Muito bem, quando penso friamente sobre liderança hoje, concluo que, apesar de muito discurso e estudo sobre o tema, pouco se vive à verdadeira liderança. Em se tratando de igrejas e religiões então, a crise da demolição neste campo fica bastante grave. Lideranças se tornam ditaduras, emplastradas de autoritarismo e controle da vida dos outros. Isso é liderança? Nunca foi nem nunca será.

Há uma demolição prática da verdadeira liderança no cotidiano “igrejesco”. Quando a força do comando está no poder do título; se o poder fala mais alto que o trato; se a liderança vale mais que os liderados, essa mesma liderança esta distorcida, doente e corroída. É uma liderança interrompida quanto aos valores que fazem uma relação líder/liderados ser sadia e valer a pena.

O maior líder de todos os tempos deixou pouquíssimas ordens para seus liderados, na verdade, só me lembro de duas: amai e amai. Jesus de Nazaré não apenas deixou o comando, Ele mesmo foi o maior exemplo de amor; sua vida e sua morte foram a síntese de seus mandamentos. As pessoas são mais importantes que as ordens! É a grande lição da liderança de Cristo. Lembra da mulher pega em flagrante adultério? Pela ordem da lei deveria morrer; pela ordem da graça alcançou misericórdia.

Onde estão os verdadeiros líderes? Lideres que doam a vida pelas ovelhas e não pelos seus interesses? Sei que eles existem, mas fica cada vez mais raro achar seus endereços, já que não precisam anunciar sua liderança, apenas vivem coerentemente com o discurso que pregam. Não arrastam grandes multidões, mas formam verdadeiros discípulos de Jesus.


Saúde e Paz
Fabio

PS: Este texto foi publicado pela primeira vez em 2006. Pela relevancia ainda para hoje, resolvi reedita-lo.

Wednesday, January 19, 2011

A PAZ DO MAR



Sou um apaixonado pelo mar. Não consigo pensar em descanso sem imaginar o sol nascente ou o poente no horizonte infinito do mar.
Também amo pescar. Tal esporte me acompanha desde criança. Neste tempo, várias vezes, sonhei pescando sem nunca ter pescado de fato.
Muitos, como meus filhos ,por exemplo, começaram a pescar por influência do pai. No meu caso isso não foi assim, cresci sabendo que gostava de pescar, já meu pai, até hoje, nunca soube o que é experimentar o prazer de pescar. Pescaria para mim é o todo, o mar, o vento, bons amigos, aquela risada, o papo etc. E o peixe? É parte e faz parte.
Assim a paixão pelo mar e o amor pela pescaria fazem parte da minha vida ativamente. Fiz bons amigos pescando e levei bons amigos para pescar. Meus filhos são os melhores companheiros que tenho.
Depois de vinte anos usando o mar como lugar de desafogo da alma me vejo impossibilitado de ser diferente e nem sei se quero ser.
Acima do mar e da pesca há Aquele que é a Paz do mar, que acalma o mar e a Quem o mar obedece. O Mestre Jesus é a paz do mar. Portanto, se o mar é paz para aqueles que, assim como eu, o buscam para obter descanso, Jesus é a paz do mar. Ele é a paz da paz.
Pensando nisso tudo que compûs a canção que coloco aqui para que você leia como um poema.

"Ir ao mar, na esperança de encontrar mais que o peixe a paz,
Mais que a presa a beleza do viver, ver ao ver o mar.
Ir pro mar, na certeza de encontrar, o descanso no balanço do mar.

Aqui na terra seca a luta doi no peito,
A lei é a do mais forte e a guerra é vida ou morte.

Vou pro mar, na certeza de encontrar, o descanso no balanço do mar.

Quem é esse que até o vento e o mar,
Obedecem sem lhe questionar,
Ele acalma o mar, Ele é a paz do mar,
Jesus, na vida acalma o mar."


Crendo que a paz de Cristo transcende a paz do mar, já que é paz ainda que na tempestade, é que escrevo estas linhas.

No amor de Cristo, Principe da Paz, Senhor de tudo.
Fabio.

PS: Eu mantenho um blog onde escrevo sobre Pesca Esportiva. Quem quiser conhecer clique no link abaixo:
Pescar e Saber