Tuesday, January 08, 2013

O QUE DIGO QUANDO FALO...



Que não sou Evangélico. Que não me identifico (não mais) com as igrejas e movimentos religiosos que carregam esta chancela nominal e que são identificadas por práticas e crenças chamadas “evangélicas”. Não me identifico com suas doutrinas, não me identifico com as formas de expressão de sua fé e também não me identifico mais em muitos das praticas proibitivas, portanto se não me identifico com este universo me sinto alheio a ele, aliás vale faço menção que , pelo que sei, considerado traidor, infiel, filho do diabo e afins em uma de suas representações. Logo, a recíproca é verdadeira.  Minha dedicação é ao Evangelho, a Jesus de Nazaré, sua missão, sua graça e verdade.  

Que não sou cristão. Que não me identifico com o Cristianismo Histórico, reconheço sua importância na construção do ocidente, mas também suas mazelas. Não me identifico com Catolicismo, nem com a Igreja Ortodoxa, tão pouco com o Protestantismo. Não acredito na absolutização da Reforma como ação de Deus na Terra. A Reforma foi uma consequência histórica, filosófica, econômica e politica, como tudo que há no mundo dos homens. Não me identifico com decisões dos Concílios e Institutas de Calvino. A tudo considero, mas a nada me apego. Acredito no “ser –cristão”, o ser que se cristianiza, tornando-se parecido com Cristo em seu caráter, vida e, essencialmente, em amor.

Que não tenho igreja.  Que não me sinto nem dono, nem parte de uma organização religiosa/igreja, ainda que exista uma instituição/pessoa jurídica pela qual respondo e a qual lidero. Esta organização que chamamos de Espaço Betel, primeiramente é um lugar e não uma “revelação divina”, em segundo lugar ela existe para servir a Igreja- pessoas, jamais poderá ser o inverso. Há quem chame o Espaço de sua igreja, eu não me importo com formas e respeito quem assim lide com a coisa, mas que fique (e está) claro que igreja/lugar/marca é coisa humana, Igreja de Jesus é gente que se reúne em qualquer tempo e lugar em Seu Nome e tendo a Ele como proposito, motivo, ideal e Senhor.

Que Igreja são pessoas. Que quando me responsabilizo por tal discurso, me responsabilizo pela missão de ser Igreja todo tempo, dinamicamente, andantemente e não na experiência estática de quem vai e vem de um lugar e ali cumpre, institucionalmente, suas obrigações religiosas. Ser Igreja é ser na missão. É no “indo” e não no "ide" que as sementes do Evangelho vão sendo semeadas.

Que dizimar e ofertar não são obrigações.  Que quem dizima/oferta por que é obrigado, não o faz por amor e sim pela obrigatoriedade, logo só possui o valor de  ter obedecido a Lei e não de quem o fez por um gesto de amor e gratidão a Deus. Dízimos e ofertas falam para nós e não para Deus, falam para nós por onde anda nosso coração, nossa gratidão e nosso tesouro. Quem deixa de dizimar/ofertar por que descobriu que o “devorador” de Malaquias é uma metáfora judaica, agrícola e da Lei, portanto acredita  que esse papo de se tornar “ladrão” é invencionice que visa objetivos arrecadadores e quem faz disso o motivo de sua “libertação financeira” continua na mesma condição que estava antes de “descobrir” tais fatos: um barganhador, interesseiro e com um potencial para hipocrisia e santarrice. Creio piamente que o Pai nos supre e que há, da parte dEle, recompensa para quem dá até um copo de água, mas que em fazendo isso, nem percebe que esta semeando e, portanto, colherá. O semeador semeia por que é grato pela semente semeada nele. É assim no espirito do Evangelho.

Que a não acredito em vida secular e vida religiosa como forma de ser. Isto por que a vida é inteira e não fragmentada. O que sou e faço como profissional é tanto meu serviço a Deus quanto quando estou reunido com os irmãos na fé e ali prego, canto ou toco um instrumento. É serviço a Deus por que é serviço aos homens e é servindo a estes que se serve Aquele.

Que não vejo necessidade de estruturas eclesiásticas complexas, cheias de cargos, ministérios, títulos, lideres, vice-lideres, dirigentes, diretores e afins. Tais coisas servem mesmo é para alimentar o ego e para que os aplausos sejam evidenciados. Na maioria das vezes o que precisamos é da consciência madura de que somos servos. Quem assim se vê não precisa ser cobrado, não precisa de metas, de numerários, seu serviço é sua maneira de existir, seja tocando um instrumento, ensinando para os pequeninos, ajudando em alguma área menos evidente e qualquer coisa que se expresse em realizações.

Que Deus não precisa das minhas orações. Óbvio. Como conceber um Ser independente de tudo e dependente apenas de Si como necessitado de algo? Eu preciso dEle, não Ele de mim. Simples assim. Oro porque preciso da Sua pessoa e não de suas atuações. Mesmo assim Ele, abundantemente gracioso, faz mais do creio, oro ou penso.

Que congregar é importante, mas não é tudo. Primeiramente é importante a caminhada na fé juntamente com outros. Estes outros são chamados para que construam amizade. “Irmão de igreja” é apenas a institucionalização de relacionamentos. Congregue sim, com gente e não com “crentes”. Digo isto pensando na tendência desumanizadora que temos de pensarmos que só gente que crê como a gente que é gente boa, isto não é verdade e as ovelhas de Jesus só ele as conhece. Em se tratando de caminhada com Jesus tudo é pessoal, individual, mas não solitário.

Há muito mais a ser dito, mas que a vida fale e as palavras se façam compreender pelos atos. Que os discursos cansativos e enfadonhos, se transformem em ações. 
Que a verdade seja o caminho e a vida.

Saúde e Paz


Fabio

3 comments:

Cláudia Rodrigues said...

Muito bom, como sempre. Uma maneira muito leve de tratar certos assuntos. Que pena que poucos pensam e agem assim. Pastor Fabio me preocupo quando vejo crentes desprezando pessoas porque não dividem a mesma fé, ou a mesma igreja. Muito estranho! Que possamos amar mais as pessoas independente de igreja ou religião, até porque o nosso interior somente Deus conhece, e estar dentro de uma igreja, não necessariamente quer dizer nada.
Bjs, com carinho.

Soninha Amorim said...

Excelente. Muitos, como cristãos, precisam deixar de ser cretinos sobre determinados assuntos e viverem realmente o cristianismo de Jesus.

Marcelo said...

Muito bom irmão Fábio, e a sensação é sempre de que: Como você poderia falar muito mais! Acredito que essa sensação tem relação com o descortinar de verdades ocultas propositalmente por uns e por ignorâncio por outros. Mas ainda oro a Deus pedindo mais ceifeiros dessa qualidade, por que a seara é grande. Continue ceifeiro!! Abraço,
Marcelo.