quinta-feira, maio 03, 2012
O SONHO QUE NÃO GOSTARIA DE TER SONHADO
Há alguns meses tive um sonho que ainda me perturba. Não sou uma pessoa ligada à mística dos devaneios noturnos e que fica buscando interpretações e sentidos para essas experiências que, ao menos para mim, na maioria das vezes, só se justificam pelos reflexos do subconsciente. Dessa vez, no entanto, foi diferente, tão diferentemente estranho que ainda hoje, meses depois, tal experiência ainda me parece viva e angustiante.
Sonhei que fora chamado para participar de uma missão da Índia. Meu trabalho era ajudar na estruturação de uma escola em determinada cidade daquele país, onde o evangelho havia sido distorcido de forma tão agressiva que virara objeto dos maiores e mais bizarros crimes. Nessa escola nosso trabalho era tentar construir, em meio a lideres religiosos e interessados, uma consciência crítica e promover reflexões profundas sobre tudo o que estava acontecendo no universo religioso daquele país, e, nessa casa, o universo religioso era cristão. Nós, imbuídos desse esforço missionário pelo evangelho, morávamos em uma ilha e trabalhávamos no continente. A estada na ilha se justificava por questões de segurança, já que nosso trabalho era visto como destrutivo pelas grandes e poderosas lideranças locais. Vivíamos com dois dólares diários, e com isto nos sustentávamos durante o trabalho na escola, comendo e bebendo o que era possível com essa contia. Pela manhã, um pequeno barco nos levava para o continente e, à tarde, voltávamos para ilha-base.
Meu trabalho era readaptar o espaço da escola às condições que uma nova lei local exigia. Precisávamos aumentar cinquenta centímetros da área da sala que ocupávamos em um pequeno prédio na parte central da cidade. Então eu estava imbuído em desmontar uma parede de madeira e reposicioná-la cinquenta centímetros depois, isto para que a escola não fosse fechada pelas autoridades. Para tal coisa, a necessidade era de cinco dólares para a compra de parafusos, buchas e afins. Aqui começa a parte perturbante: Tentamos levantar esse valor dentre os alunos. Dissemos que não tínhamos e que se esse pequeno valor não fosse arrecadado a escola poderia ser fechada. Pasmem! Ninguém dentre os vinte e poucos alunos se moveu para ajudar. Ninguém dentre aqueles que se diziam mais conscientes do evangelho de Jesus. Tivemos que arrecadar entre nós mesmos, retirando esta contia do pouco que tínhamos para nosso sustento diário. Questionei então o porquê desta atitude dos alunos ao diretor da escola e ele me levou para ver o que estava realmente acontecendo dentre os cristãos daquela cidade. Ligou um aparelho de TV e estava ali um pregador que dizia que Deus retribuiria muitas vezes mais o que fosse ofertado a seu ministério e que, de quem não tivesse nada para ofertar a Deus, aceitaria o sacrifício de seus filhos como oferta.
Fiquei incrédulo! Não era apenas dinheiro, era a morte de crianças. Não acreditava e disse ao coordenador da escola, um homem alto, branco, com aparência anglosaxônica, que isso não poderia ser literal. Ele então me convidou para visitar uma grande “igreja”, a mesma do pregador televisivo.
Ao chegarmos lá, havia um grande altar e uma parede enorme feita de cadáveres infantis queimados ao deus do evangelho da morte e da troca. Minha reação foi o choque, a indignação, e a resposta do meu amigo foi: Fabio, aqui ninguém dá nada se nada for oferecido em troca, mas se você oferecer algum lucro são capazes de matar seus filhos e ainda acreditarem que estão adorando a Deus. Nosso desafio era maior do que eu pensava. As ideias de prosperidade, lucro e sucesso haviam gerado uma besta devoradora de cadáveres infantis, carbonizados em adoração a um ente assassino que eles chamavam de deus. Mamom era este ente. Acordei. E esta frase me persegue: “Ninguém dá nada se nada for oferecido em troca”. A imagem da parede de cadáveres também me vem à mente como se eu tivesse vivido de fato.
E uma pergunta me invade a alma: Pai, o que é isso? Perturbador é saber que hoje, não no sonho, a essência disto tudo é verdade. Falta tudo para a Verdade e para quem nada oferece em troca, quem não vende indulgências e nem se vende aos compradores insaciáveis, compulsivos no consumo da mentira.Enquanto isso há pequeninos morrendo de fome, de angústia, de dor, de falta de amor e de amigos. Encerro aqui. Não gostaria de ter sonhado isso, menos ainda de ver que este sonho é reflexo (talvez ultra dimensionado, ou seria micro dimensionado?) da realidade brasileira.
Com a alma sangrando e com amor pela Verdade.
Fabio
segunda-feira, março 19, 2012
ILUSIONISMO. Das mãos hábeis ao olhos tolos.
O Mágico comanda o show,
Picadeiro iluminado, a platéia na penumbra,
Muita gente pagou pra ver,
Pagou pra ser iludido, já que o que é não é o que se vislumbra,
Disso grande parte sabe, mas o show vale a pena.
Os olhos e as mentes são dele, do Mágico,
Senhor dos mistérios, sua obra é o iludir,
A música, a bruma, o cheiro, a lona, a luz tudo se soma e monta o cenário,
As mãos se movem rápido, os olhos se complicam,
Outras mãos agora aplaudem, saúdam sua pessoal incapacidade de discernir.
Neste instante o aplauso é coerente, mas pouco inocente,
Pagaram pra não saber,
- Aplaudamos quem nos cega!
Lindo espetáculo, triste visão quando o circo é a vida,
E o Mágico sou eu, é você, é o pai, o pastor, o líder, o patrão.
E o povo aplaude inculto, cego, tolo, manipulado,
A verdade é escondida, a platéia na penumbra,
O que importa é o valor, o ingresso, o preço da ilusão,
- Eu paguei, quero não ver!
O engano está nos fatos, estampados nos atos, nas cenas de um show que não vale a pena.
Pena? A pena é de morte,
Pra quem escolhe enganar,
A mesma pena esta posta diante dos que sabem, mas não querem saber,
Preferem o preço do ingresso, ver o show da ilusão do Mágico, do artista.
Os olhos tolos do iludido são as ferramentas de trabalho do ilusionista.
Fabio
segunda-feira, março 12, 2012
MENINA, FEMININA, MENINA
Mulher é bicho esquisito, todo mês sangra, já dizia a canção.
Pensando bem este bichinho delicado dá-nos prova de força e readaptação todo mês.
Seu corpo preparado para a maternidade se refaz, para que esteja pronto novamente para esta missão divina, a vida.
Refazer-se não é fácil como processo longínquo, imagina refazer-se a cada mês.
Sensibilidade a flor da pele que faz ver o que nós, meros homens, seres dos olhos, não conseguimos enxergar, mesmo querendo.
É visão com a alma, audição intuitiva, que assusta pelas vezes que acerta o que pressupõe.
Talvez seja experiência, ou inteligência, mas desconfio que seja alma, alma de mulher.
Verás que um filho teu não foge a luta e verás que tuas filhas são as que dizem “não fuja, lute”, quando teus filhos se acovardam e choram.
Verás que tuas filhas são lutadoras corajosas e bem mais honestas na guerra.
Verás que suas armas são infalíveis, estratégicas e irresistíveis.
Mulher, teu rigor e teu amor, seriedade e serenidade, honestidade e paciência, nos captura e encanta.
Só não se deixa encantar quem se faz de rogado, de macheza estúpida se impõe pela força da, voz, do braço, do macho, do menino que quer porque quer.
Pobre imbecil, perdeu a melhor parte da vida, o caminho ao lado desta força chamada Mulher.
Minha singela homenagem,
Fabio
8/03/2012. Dia Internacional da Mulher.
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
É PRA LÁ QUE EU VOU (AINDA ESTOU INDO)

Esse texto é um carta-bússula. Ele aponta a rota que não podemos perder. Se você se importar com o ponto de chegada, então leia-o.
Se quiser saber pra onde estou indo e se pretende andar comigo, leia-o, mas se tiver afim de ser guiado cegamente para não se sentir responsável por nada e no fim poder dizer – “fiz o que meu guru me orientou”, ou ainda -“foi o pastor que tu me destes”, te peço por favor leia, releia e leia novamente o que você começou a ler agora.
Há alguns anos que resolvi me comprometer unicamente com o Evangelho me descomprometendo com a mensagem evangélica e suas verdades feitas de mentirinhas gospel. Quem estava acostumado a me ouvir já há vários anos atrás, fosse pregando fosse no dia a dia, sabe disso. Ainda que estivesse por lá já não me sentia de lá. Então, por forças que, a priori, me pareciam circunstancias vindas de incompatibilidades de pensamentos e por não aprovar certas coisas aprovadas pelo meio, saí. Saí sem saber para onde ir (e não venha me comparar com Abraão, até porque não cheguei em Canaã). Naqueles dias pensei mesmo em não ir para lugar nenhum, ou ir para algum lugar bem longe (Pra onde tenha sol /é pra lá que eu vou). Aliás, essa era a vontade de toda a minha família. Nesse tempo foi possível perceber que a força que catapultou-me do lugar de onde saí me arremessou bem mais longe do que eu mesmo conseguia ver. Senti-me livre de todo uma mentalidade e não apenas de uma institucionalidade. Esse era (e em mim ainda é) o espírito das primeiras reuniões que fizemos lá em casa; gente que se encontrou por que já não conseguia se encontrar em igreja alguma. Muitos rotulados, excluídos, exonerados, execrados, caluniados, decepcionados e outros apenas por querem uma alternativa, mais informal para viver em comunhão com os irmãos. Então foi assim.
No dia em que propus o nome Espaço Betel para o lugar destes encontros, que até aí era minha casa também, deixei claro que a proposta era a de não levantar bandeira alguma, de não nos sentirmos dono de igreja alguma, que o Espaço Betel jamais seria nossa igreja, mas apenas nosso lugar de encontro. Dar um nome àquela iniciativa era necessário senão qualquer outro nome surgiria, e fatalmente seria A Igreja do Pr. Fabio, isso eu não queria e não quero.
Gente querida, eu estou disposto a lutar por isso! Não pelo Espaço Betel, mas pela vida baseada apenas no Evangelho e se um dia o nosso espaço nos tirar da centralidade do Evangelho de Jesus e virar nossa bandeira, nossa visão, nossa verdade, então ele terá virado nossa igreja, e eu a cobertura espiritual de vocês. Quero avisar a quem interessar possa que serei eu o primeiro a dizer “Game Over”se perceber que descambamos para o igrejismo, para o evangelicalismo, ou qualquer forma de farisaísmo egocêntrico. Sei que sempre haverá gente quem não entenderá a fundo essa iniciativa , mas creio que devemos continuar a missão, tendo esperança, acreditando no Evangelho. Acretitando também que é possível viver em amor a Cristo e só.
O Espaço Betel é apenas um lugar, não é nossa igreja. Não é casa de Deus, é a nossa casa. Espaço já designa lugar, Betel é “casa de Deus” em hebráico, o lugar abriga a “casa de Deus”. Betel , “casa de Deus”, somos nós Igreja de Jesus. Pessoas-Templos ambulantes. O lugar é nosso, nós somos Dele não do lugar.
Mas qual o problema de chamarmos o nosso espaço de igreja? Todo mundo sabe que Igreja são pessoas? Se sabem porque o uso da palavra equivocadamente? Palavras carregam consigo conceitos que vem da mentalidade do sujeito, mentalidade que não necessariamente nasceu nele ,mas que pode ter sido formada nele. Normalmente é assim, expressamos o que pensamos pelas palavras que pronunciamos reproduzindo o que aprendemos. Então “ a boca fala do que o coração está cheio”. Se palavras têm poder, é esse: elas revelam quem somos. Mas não há pecado algum em chamar o Espaço Betel nem instituição nenhuma de igreja e não serei eu que vou ficar vigiando a boca de ninguém com uma colher de pimenta pra castigar quem falou “palavrão”. Eu não sou pai de mais ninguém que não sejam meus filhos (Lucas, Rebeca e Asafe). Por isso não me preocupo com disciplinas. Que cada um vigie a si mesmo e veja se a vida que vive tem coerência com o Evangelho, se não tiver que se converta. Mas como eu gostaria que todos nós vivêssemos sendo Igreja e não simplesmente estando na igreja. O problema de acharmos que Betel é nossa igreja tende, a médio pra longo prazo, a nos igrejizar. Se isso acontecer, não vai demorar muito e alguém vai vestir a camisa, outros chamarão de betelanos os de Betel; haverá pessoas que terão “amor pela obra” já que trabalham mais que as outras, os obreiros e oficiais serão mais espirituais que os membros e os pastores serão mediadores.
Possivelmente alguém se renderá aos discursos de prosperidade e dízimos e ofertas passarão a ser obrigatório, sendo que o medo do devorador motivará os dizimistas. As pessoas desejarão cargos e postos pelo prazer de ter comando, de possuir súditos. A palavra pregada será inquestionável e ministros conduzirão o povo à adoração. O pastor será um bispo ou um apóstolo. Se este dia chegar vocês poderão me encontrar novamente na minha casa, possivelmente reunindo pessoas e dizendo que o Reino de Deus está em nós e que o que importa é vivermos o Evangelho e não sermos evangélicos. Dizendo que sou igual a vocês e que em nada tenho mais poder que qualquer um dos irmãos. Se me acharem pregando algo diferente me exortem por que enlouqueci. Mas lutarei para que nada disso aconteça, para que estas palavras não se tornem profecia. Minhas armas são o exemplo e a Palavra. Porém minha luta terá sempre um prazo, o prazo da tolerancia. Se preceber que me tornei intolerante e intoleravel, meu esforço terminará.
Só quero o que for do Evangelho, nada mais. Não queiramos oficiais, obreiros e ministros, mas queiramos servir cumprindo cada um seu papel no Corpo por amor, pois é assim o Evangelho. Não queiramos ditar o que é pecado ou não, mas cada um, com a consciência guardada pelo Evangelho se converta todo dia em alguém que aceitou a proposta livre e libertadora de seguir a Jesus. Assim, pecado é tudo o que é não segundo o Evangelho. Até nossa santidade se faz pecadora se for juiz do outro. Não nos preocupemos com números, que cheguem os que chegarem e fiquem os que ficarem, mas que todos sejam motivados pelo amor a Cristo e aos irmãos.
Ouvindo isso alguém pode dizer – “Então vale tudo?”, vale tudo que for do Evangelho e que achar coerência com Jesus, fora disso não vale. E o que farei quando achar alguém que a vida não está de acordo com o Evangelho é, no máximo, orientar que esta se afaste de atividades publicas, sem ver ninguém como “mulher imunda”. Jamais atirarei pedra alguma, não posso fazer isso, tenho pecado.
Amados, Espaço Betel é um meio e não pode nunca virar um fim. Betel é um lugar que abriga pessoas que devem querer viver segundo o Evangelho. Pessoas farão deste lugar um lugar aprazível ou transformarão esse espaço em um ídolo.Que cada um faça para si e para o próximo todo bem do Evangelho em amor e liberdade.
Antes de terminar quero só deixar um lembrete, essa não é minha visão para o Espaço Betel é apenas o viver conforme a Palavra. Se você não concorda isso não nos fará inimigos jamais, só te peço que leia o Novo Testamento e repense a vida. É o que tenho feito diariamente.
E eu continuo indo para lá onde sempre tem Sol, o Sol da justiça, o Príncipe da paz e dono da alegria, é pra lá que eu vou. Vamos juntos?
Um grande abraço aos que diante disso ainda quiserem me tolerar e aos que não quiserem também.
Saúde e Paz
Fabio
segunda-feira, dezembro 12, 2011
NATAL SENTIDO
Mais uma vez o Natal está chegando. Sabendo que tal data comemorativa está longe de ser, essencialmente, religiosa ou devocional, está longe historicamente de ser o dia natalício de Jesus na terra dos homens e está longe, praticamente, de ser uma festa com fins filantrópicos e humanitários, antes é a grande e esperada celebração do comércio. Todos aguardam o fim do ano para pagar dívidas, realizar sonhos, adquirir
aquela TV de última geração, reformar a casa e etc. Tudo isso tem seu valor
e lugar em nossas histórias de vida. Consumismo à parte, presentear um filho na noite de Natal e ver o sorriso de satisfação do pequenino é
um prazer inestimável. Ainda que haja todo este apelo capitalista e que a
data não seja “a data” (o que pouco importa, porque se fosse a data exata do nascimento de Jesus já teria se capitalizado há tempos) o Natal, enquanto um dia especial do ano, nos permite (ou deveria permitir) algumas reflexões.
Particularmente tenho passados meus últimos natais com amigos, além de
familiares. Percebi o quanto estes laços de amizade se estreitaram. Experimente chamar alguém que você sabe que estará solitário
na noite de Natal a passar esta data com você. A experiência resulta em
amizade. Estes solitários do Natal muitas vezes estão perto de nós e até os
chamamos de irmãos.
Natal nos permitir refletir sobre a importância do outro. Lembrar do
nascimento de Jesus é lembrar do maior ato de doação da História,
a doação de Deus aos homens. Ele se doou para nos reconciliar consigo
mesmo. Pensemos sobre o quanto de nós temos doado ao próximo, ao necessitado, ao que tem fome. Nem o tudo que fizermos trará a solução final das crises da humanidade, mas podemos fazer um mínimo, e o Natal
é oportuno para revermos estes valores na vida e para a vida. Experimente dar um prato de comida a um faminto no Natal. Apenas experimente, isto resulta em sorrisos gratos.
Sei que estas poucas palavras soam piegas, repetitivas e chovendo no
molhado. Todos sabem disso e de muito mais sobre a data. Tudo já foi cantado e contado. Meu motivo em escrever este pequeno texto é propor que o Natal seja sentido. Sentido como reconciliação; sentido como auto-avaliação; sentido como gratidão; sentido como doação e sentido como tudo mais que, em sendo sentido, de significado verdadeiro a comemoração
do nascimento do Salvador entre os homens. Não sendo assim, o Natal não tem
sentido, por mais farta e bela que seja a noite. Não tem sentido, porque reduz à incoerência o verdadeiro sentido do dia chamado Natal: o que fez o Filho de Deus nascer entre os homens: seu amor e sua graça salvadora.
Um feliz Natal sentido é o que desejo para todos nós.
No amor de Jesus, que se deu como presente aos homens, para que haja o Seu
natal nos corações.
Fabio
quarta-feira, novembro 09, 2011
ENDEMONIANDO
Se eu peguei dengue, foi o diabo que me picou. Endemoniei o mosquito. Endemoniei uma política de saúde pública vergonhosa. Endemoniei o vaso de planta, a poça dágua, a piscina abandonada. Endemoniei o vizinho. Me endemoniei.
Se eu fiquei duro, sem grana, foi o diabo que me roubou. Endeminiei minha má administração. Endemoniei a possibilidade de não ter construído um caminho profissional profícuo.Endemoniei minhas escolhas. Endemoniei ainda mais a injustiça a social, já endemoniada por natureza.
Se meu casamento está em crise, foi o diabo que gerou contenda. Endemoniei meu jeito turrão, minha cabeça dura, minha possível postura egoísta. Endemoniei minha escolha. Endemoniei minha esposa.
Se não me porto direito na hora da adoração e da pregação em meio a congregacção e a experiencia comunitária, foi o diabo que me fez irreverente. Endemoniei a má educação.
Se crio intrigas e calunio os outros, foi o diabo que me levou a fazer isso. Endemoniei minha falta de ética e meu espirito de porco.
Se o político em quem votei roubou, foi o diabo que o fez roubar. Endemoniei a safadeza do ladrão. Endemoniei minha desinformação.
Se o político em quem não votei roubou, foi o diabo que fez outros votarem nele. Endemoniei todos os eleitores que não votaram como eu.Endemoniei a diversidade.
Se não gosto de determinado estilo musical, foi o diabo quem compôs a musica. Endemoniei a liberdade de gostar e desgostar. Endemoniei o respeito a liberdade.
Se olho para alguém e os pensamentos viajam para lugares impuros, foi o diabo que me seduziu. Endemoniei o desejo. Endemoniei a incapacidade de olhar para outro lado. Endemoniei a vigilância.
Se não me importo com as lágrimas e o fracasso do outro, foi o diabo que o fez chorar e fracassar, o que posso fazer se ele "deu brecha"? Endemoniei a indiferença, o egoísmo e o desamor.
Se, se, se, se.
Endemoniar a vida é fácil, difícil é viver entendendo que temos responsabilidades.
Se conheceres a Verdade ela vos libertará.
Em Cristo, saúde e paz.
Fabio
segunda-feira, outubro 31, 2011
PROTESTO PROTESTANTE
Em homenagem aos 494 anos da chamada Reforma Protestante, escrevo algumas "teses" como um protesto protestante.
PROTESTO contra os neo-papas, ultra-ungidos e afins , que mesmo se "identificando" com o Protestantismo, negam esta raiz quando postulam a inerrância de suas idéias e falas. PROTESTO contra os que fingem que não vêem e que gostam desta espiritualidade pagã e burra.
PROTESTO contra a perda histórica do aspecto protestante, inovador, dinâmico e inconformado dos que se dizem protestantes. O Evangelho é acido e doce. A politica religiosa o "transforma" em negociata populista.
PROTESTO quanto ao uso ressurgido de relíquias, sejam elas judáicas, ou objetos com poderes mágicos , ou mesmo pessoas tidas como espiritualmente capazes de levar homens aos saberes celestiais. PROTESTO contra a venda ressurgida de indulgências, bençãos materias e supostas vitórias aqui e no porvir. Vendas estas que alimentam os neo-vendilhões do templo. PROTESTO quanto aos que fazem tais coisas e ainda se dizem protestantes, dado que em suas teses, Lutero, denunciou tais práticas como contraditórias ao Evangelho.
PROTESTO contra a cultura religiosa de só se abrir a Bíblia quando se vai ouvir uma pregação, palestra e afins. PROTESTO contra a leitura bíblica feita como consulta a um "oráculo". PROTESTO contra a leitura bíblica em busca de promessas. PROTESTO contra a leitura bíblica em busca de bases combativas e/ou puramente doutrinárias. PROTESTO contra quem trata a Bíblia como um livro mágico. PROTESTO contra quem prefere ouvir um pregador do que ler a Palavra. PROTESTO contra quem só ouve ou fala e não procura viver. PROTESTO contra os "mestres para si mesmo".
PROTESTO quanto ao estabelecimento de uma relação comercial entre clérigos e crentes, quando os primeiros buscam satisfazer, com criativida e misticismo, a demanda do seu publico alvo: os carentes e os ambiciosos. PROTESTO quanto a insatisfação da audiência contemporânea em relação a quem não faz espetáculos em nome da fé, fala a verdade e diz que o Evangelho é simples e sem magias. PROTESTO contra quem protesta ,mas continua alimentado o mercado das mágicas e das celebridades clericais.
PROTESTO quanto a fragmentação do Evangelho, quando se vê verdades como sendo a Verdade, dons espirituais como o fim e não um meio, ministérios como honra e não como serviço. PROTESTO contra a soberba da humildade cristã.
PROTESTO contra o denominacionalismo confundido com o Reino de Deus, contra a perseguição e satanização dos que escolhem não viver nos arraias denominacionalistas. PROTESTO contra a "Inquisição Pós-moderna" que condena os pecadores e os pensadores à fogueira do sistema. PROTESTO contra quem em nome de combater o sistema cria um novo sistema, ao tratar como inimigo os discordantes.
E vou seguir protestando , sei que vou, mas o que mais importa é seguir em novidade de vida, seguindo a Jesus. Ele que foi e é o protesto vivo, a mudança encarnada, a contradição em forma de Deus-homem.
Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solu Christu e Soli Deo Gloria.
Fabio
segunda-feira, setembro 05, 2011
BOSSA BOA NOVA
Se voce disser que eu desafino amor - Que meu pensamento é discordante em relação ao seu.
Saiba que isso em mim provoca imensa dor - Ou não, dependendo de quem e do que dá até uma alegria.
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu - Eu sei que você se acha dono da verdade. Receba minha ironia.
Eu possuo apenas o que Deus me deu - Só sei o que o Pai me faz saber, só tenho o que o Pai me deu. Não sou o "cara" como você.
Se você insiste em classificar - Não faça isso, você será julgado com medida transbordante.
Meu comportamento de anti-musical - Seu comportamento errado é ético, enquanto minha ética é imoral para você.
Eu mesmo mentindo devo argumentar - Tenha paciência com esse pecador e ouça meus argumentos pobres e irônicos.
Que isto é bossa-nova, isto é muito natural - Minha mensagem é simplesmente uma bossa-nova, uma Boa Nova, simples e sem malabarismos.
O que você não sabe nem sequer pressente - Seja mais profundo na sua maneira de ver o outro discordante.
É que os desafinados também têm um coração - Os hereges, segundo sua opinião, como eu, também sentem. Seja mais sensível e humano.
Fotografei você na minha Roleiflex - Guardei uma imagem de você.
Revelou-se a sua enorme ingratidão - Sua imagem para mim é de ingratidão, já que não me vê como gente, mas apenas tem uma opinião sobre mim.
Só não poderá falar assim do meu amor - Mas, pela Graça, eu te amo mesmo assim.
Este é o maior que você pode encontrar - Não há amor maior do que este. Amor imerecido.
Você com sua música esqueceu o principal - Seu egoísmo de só achar bom o que é seu, de só olhar para suas próprias realizações, não te deixa ver a mim.
Que no peito dos desafinados - Você não deveria rotular pessoas.
No fundo do peito bate calado - Pessoas rotuladas sofrem no silencio da sua própria alma.
Que no peito dos desafinados - Me ouça novamente.
Também bate um coração - Eu tenho sentimentos e sofro por sua falta de discernimento e seus julgamentos.
Ouça o Evangelho desafinado.
A Boa Nova é uma bossa-nova de vida.
O Desafinado de Nazaré nos ama, apesar de nós mesmos. Os desafinados segundo o que pensamos ser desafinar, também sofrem e amam.
Um beijo de um coração em desafino.
Fabio
sábado, agosto 13, 2011
DORME EM PAZ MEU ANJO
Eu já disse essa frase muitas vezes
Como pai de três jovens-adolescentes ainda me lembro bem da hora de colocá-los para
dormir, das orações ao pé da cama, das histórias contadas que,
normalmente, não eram inéditas, por que criança sempre gosta das
mesmas histórias. Lembro bem das noites de medo também, quando um
deles não conseguia dormir com pavor de alguma coisa que nem sabia
dizer o que. Medo da vida? Medo de crescer? Não, por estas coisas, em
relação a eles, nós, os pais, é que perdemos o sono. Medo de criança é
coisa que vai embora com um simples afago e com a presença de quem os
ama e que, por isso, elas se sentem seguras. Isso sempre funcionou.
Sentar ao lado da cama, fazer um carinho e uma oração. Pronto, dormiu.
Sempre funcionou assim.
Acabo de ler uma notícia sobre o funeral da cantora britânica Amy
Winehouse, 27 anos. Nunca acompanhei suas músicas, não sabia nada dela
musicalmente, mas sempre soube o que dela foi mais explorado: a sua
doença, a sua insanidade. A mídia utilizou-a como ela utilizou-se de
tudo que podia destruí-la. Amy Winehouse se matou. Se matou desde do
dia em que conheceu as drogas.
Diante do caixão com o corpo da cantora, seu pai, Mitch Winehouse,
durante a cerimônia fúnebre realizada no cemitério Edwarebury, em
Londres, disse as seguintes palavras de despedida: “Boa noite meu
anjo, durma em paz”. Meu coração se espremeu todo quando li isso.
Pensei que talvez fossem estas as palavras que ele dizia ao colocar a
filha para dormir quando criança. Ali não estava a cantora, a louca, a
musa dos escândalos. Ali jazia o corpo de uma filha. Ao seu lado não
estavam os fãs, estava um pai. Winehouse, cantora talentosa,
milionária, compositora, mas morreu a morte comum aos que se arriscam
no mundo marginal das drogas, inclusive das lícitas, que matam, e
muito.
Quem esperava um outro fim para ela? Quem, do lado de cá da tela, não
sabia que a morte de Amy já não seria uma surpresa? Seus pais. Seu pai
e sua mãe, acredito, que ainda tinham esperança, ainda que fosse
pouca. Assim são os pais, esperançosos. Alguns de tanta esperança
adoecem, tornam-se ansiosos. Ainda outros não aceitam seus filhos como
são. Da esperança passam ao pesadelo do ciúme, tornam-se invejosos. E
a gente poderia seguir aqui poetizando estas coisas duras da vida ou
se aninhando no amor de mãe e de pai que sempre está nos fortalecendo,
mesmo quando nossos ‘velhos’ se vão.
Há uma ironia nisso tudo. Pais chamam filhos de anjos, mas os anjos
são os pais. Ao menos é o que se espera. Ao menos é o que deveria
haver. Dentro da normalidade da vida é exatamente o que são. Cuidam,
ensinam, protegem, perdem, tornam a perder e, não excepcionalmente,
fazem isto em silêncio e, também, em uma grande maioria das vezes,
recebem o silêncio em troca.
Filhos, honrem os vossos pais. Como pai, digo, a honra da paternidade
é a atenção dos filhos, é o muito obrigado, é a consideração ao que
se diz e o reconhecimento ao que se faz.
Pais não provoquem a ira em vossos filhos. Nenhum filho odeia um pai
de graça. O abandono, a violência, a omissão, a distorção, o abuso,
o egoísmo, o mau exemplo, a desgraça dos vícios, a traição e coisas
semelhantes a estas, desfiguram o pai. O anjo se torna demônio,
demônio é odiável pelo que semeia, não de graça. Demônios paternos são
a pior classe de bestas-feras. O pior é que estes ‘espíritos
familiares’ se reproduzem, muitas vezes, nos filhos bestializados por
bestas-pais.
E sobre pai, não se esqueça nunca que o Pai tem cuidado de ti. Que o
Pai não dorme nunca e nos guarda sempre em suas mãos. Na maioria das
vezes, nada vemos, e nem sabemos, mas o Pai está cuidando de nós. Sem
Ele “inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o
pão de dores, pois ele supre aos seus amados enquanto dormem”. (Salmo
127.2- versão revisada).
Enquanto seus filhos descansam, o Pai os supri de tudo. Ele é próprio
tudo, em todos. Ele é o nosso Pastor, Ele nunca nos faltará. Mesmo que
uma mãe esqueça seu filho, ou um pai se bestialize, o Pai nunca
esquece de suas crianças, e como o de crianças deseja que seja o nosso
coração. Honremos o Pai.
Feliz dia dos pais!
Fabio, filho e pai.
segunda-feira, agosto 01, 2011
TIRARAM MEU CHÃO (reeditado)
Este é apenas um conto que exige coragem pra contar.
Amanheceu. Eu continuava sentindo a estranha sensação que me perturbou por horas e horas naquela madrugada, a mesma sensação que me impediu de dormir. Havia algo de estranho no quarto, não conhecia aqueles cheiros, meu colchão não era tão duro assim, minha roupa não era aquela, meu despertador não tocou, e mesmo se tivesse tocado apenas seria testemunha da minha noite de insônia Foi a estranheza que me tirou o sono e que por vezes me fez duvidar se estava dormindo ou acordado. O galo cantou! Galo? Estou acostumado ao canto estridente das buzinas, ao barulho da cidade grande logo cedinho e não ao cantar dos galos. Ao me levantar da cama percebo um chão de terra batida, minha mente e meus pés não reconheciam tal chão. Chão é coisa que não se nota. O chão da gente é valorosamente imperceptível, a gente se acostuma tanto com o chão que pisa que já não o nota, até que pisamos em outro chão e vem na mente a frase de quem perdeu a preciosa segurança de ter um chão pra pisar –“ tiraram meu chão “. Agora eu tinha essa sensação de chão tirado, estava num mundo, numa casa que não era minha, pisando num chão que não era o meu e, para piorar tudo, não me lembrava de ter viajado pra lugar algum. “Tiraram meu chão”, era a frase que gritava alto dentro de mim.
Ao caminhar pela casa percebi que a simplicidade dava o tom da decoração daquele ambiente. Móveis de madeira e palha se acomodavam bucolicamente aos cantos do quarto e da pequena sala que ali havia. Quadros pendulavam nas paredes de barro como que fugidos de algum antiquário, uma cabaça cheia d´água me esperava oferecendo-me generosamente o frescor que aliviaria o forte e abafado calor que eu sentia. E o silencio? Nossa, era com se estivesse num vácuo de solidão em meio a uma simplicidade de vida que não conhecia até aquele momento de minha história pessoal. Me acostumei a estar cercado de pessoas, que na maioria das vezes, faziam tudo pra me agradar. Me acostumei ao mármore, perfume da riqueza e me sentia muito feliz por ser assim. Naquele momento, diante de coisas tão simples e de pouco valor, diante do perfume de roça, confesso que me senti estranhamente vazio.
Porém o choque maior ainda estava por vir. Dirigi-me a porta do casebre que já estava entreaberta, lá fora tudo parecia ter sido deixado repentinamente. Um pequeno cachorro magrelo deitado sobre as patas dianteiras me acompanha com os olhos. Sede, muita sede, calor, muito calor, solidão, muita solidão. “Tiraram meu chão, essa não é minha terra”. Tudo parecia tão miserável que, agora, me sentia enojado.
Ao caminhar por aquele terreno descobria ali uma vila de casas idênticas a que me abrigara, todas vazias. Percebi então que aquele vilarejo estava num platô de uma montanha e que um barranco me oferecia a visão de um belo vale que se estendia ao longo de um pequeno monte onde uma pequena multidão se mantinha assentada. Eles pareciam ouvir alguém palestrando. Foi nessa hora tive a sensação de estar vivendo um dejavu – já tinha visto essa cena. Claro que me aproximei e isso confirmou minha desconfiança. Supunha que aquilo que eu via acontecer diante de meus olhos eu já tinha visto, de fato, com a imaginação alimentada pelos ouvidos. Eu estava diante do monte que testemunharia a maior mensagem de todos os tempos. Obrigado Senhor, que privilégio, poderia testemunhar a tantos sobre a certeza de fé que adquiriria ouvindo em loco a mensagem do Mestre. O que eu sabia é que minha fé seria confirmada e edificada. “Quando voltar para o Brasil vou poder contar pra todos os irmãos que vi e ouvi coisas que testemunham o quanto estamos no caminho certo” . Não poderia ser diferente, já que eu sabia que estávamos vivendo na “geração do avivamento” brasileiro e ,se há um avivamento, pensava, só poderíamos estar fazendo a coisa certa, já que Deus não visitaria gente errada, concluía. Comecei a gostar de estar ali, ainda que sem “meu chão”, mas uma expectativa de crescimento futuro me consolava. Quantos convites pra pregar essa experiência geraria? Isso me fará escrever um best-seler. “Obrigado Deus, não sei se isso é sonho ou realidade, mas creio que estou vivendo uma grande restituição em minha vida. Estou sendo honrado por Ti”, orava eu grato e orgulhoso enquanto me aproximava da multidão sentada sobre o monte. Eles estavam agrupados na ribanceira da montanha, e o Mestre na parte mais baixa, isso me fez ter que dar a volta, passar ao lado dele, atrapalha-lo, já que e todos me olhavam enquanto me achegava. Ai que vergonha. Vergonha maior foi quando ele me olhou – serei fulminado – pensei - vou me prostrar me jogar por terra, tirar minhas sandálias, preciso fazer alguma coisa agora. Isso tudo passou por minha mente tão rapidamente que o maxímo que fiz foi avermelhar diante de um discreto sorriso dele e uma abanar da cabeça que me disse com a eloqüência de um gesto um bem-vindo caloroso. Percebi que por muito pouco minha religiosidade não me faz atuar circensemente. Agora eu estava envergonhado de verdade – “já atuei antes pensando que te impressionava, mas apenas impressionei quem me assistia atuar”. Ah se eu pudesse desaparecer, mas não podia. Isso era só o começo!
Sentei e Ele estava lá de pé. Falava num português nordestino carregado de sotaque que me fez lembrar o porteiro do meu prédio. Como poderia isso estar acontecendo? Jesus no agreste, sem cerimônia alguma? Rindo e chorando. Impossível conceber uma coisa dessas! Eu deveria estar louco, porém uma voz suave falou pessoalmente a mim – “minhas ovelhas ouvem a minha voz e me seguem”, estava claro aos meus sentidos que Ele falava a língua do povo, a língua simples que o povo entendia. Meu chão ia se esvaindo, meus paradigmas cristãos se abalaram só com o olhar e o sotaque. O que mais viria? O que mais eu veria?
Confesso que naquela hora ouvia a fala Dele sem ouvir o que Ele falava. Me preocupei com Seu sotaque e me esqueci de Sua mensagem. Já estava eu envergonhado de novo. Quantas vezes fiz o que eu acabara de fazer, julguei as pessoas pela fala, pela roupa, pela forma, sem nem atentar para o que elas tinham pra dizer? Eu havia acabado de fazer o mesmo com o Mestre. Agora eu torcia pra que meu chão sumisse de vez!
Tudo ali parecia me contradizer. As pessoas chamadas pelo Mestre de bem-aventuradas eram pobres e suadas. Nem de longe carregavam o estereotipo engomado pelo capitalismo que me fazia entender que alguém era prospero ou não. Era gente sofrida de mais para ser chamada de feliz, mas Ele as chamava assim e eu me chocava com a idéia, já que pra mim ser pobre era sinônimo de infelicidade. E Jesus esta ali dizendo aos pobres que eles eram felizes! Eu me encontrava exatamente como eles ali, pobre e suado, e entendi que só por ouvi-lo eu já era feliz. Sua voz me tornava bem-aventurado, uma consolação inenarrável encheu meu coração. Pela primeira vez na vida eu me senti de fato feliz. Pobre, suado, empoeirado e com sede, porém feliz.
Tantas coisas Ele dizia e todas eu já sabia, mas agora o peso das palavras Dele me achatava, me abatia. Ali sozinho num chão que não era meu eu O ouço bradar: “ Oh gente! Num se aperreiem com os tesouros dessa vida, vale a pena não. Você ajunta aqui e o ladrão vem e rouba, vem a traça e come, a ferrugem acaba com tudo. O bom é ajuntar tesouro no Céu , lá num tem ladrão, num tem traça e nem ferrugem”. Agora eu tinha que questiona-Lo e quase fiz isso publicamente. Por que num dar aos pobres uma esperança aqui, se eles não têm tesouro nenhum pra acumular mesmo? Por que num despertar a fé deles? Dizer que eles podem ao menos sonhar que serão ricos um dia? Quando eu ia falar, aquela brisa interior soprou de novo – “Se espera nas coisas dessa terra você é o mais miserável dos homens”. Esperança não é ilusão é fé que faz a alegria de esperar existir, eu pude concluir então. Então eu vi que tinha enganado muita gente em nome de Deus, prometendo uma esperança vazia de prosperidade e riquezas que nada, nada, nada valia diante daquele que dizia: “Num tenho nem onde deitar a cabeça” e que, mesmo assim, falava de felicidade com a propriedade de quem sabe o que é ser feliz.
- Perdoem os fofoqueiros e falem bem deles. Orem por esses infelizes. Eles não sabem o que é viver em paz.
- Os que maltratam vocês, eu digo que vocês devem amar essas também. Porque se vocês fizerem assim, mesmo que continuem apanhando, uma hora eles verão que sua honra é maior que o ódio deles.
- Os que não se importam com seu frio e com sua fome, pedem que vocês dêem a eles a pouca roupa que têm e a pouca comida que vos resta, aprendam a compartilhar, porque o Pai cuida de vocês. Ele veste as plantas e alimenta as aves, vocês são mais que plantas e passarinhos, por isso não se avexem.
- Primeiro busque o Reino de Deus e sua justiça, todo resto virá pra vocês mais cedo ou mais tarde.
Nossa, era tudo real, prático, vívido. Aquelas palavras tinham cheiro de gente e não de sermão dominical. Uma certeza me invadiu – Eu não tinha entendido nada sobre Jesus, mesmo carregando divisas eclesiásticas nos ombros, eu não O conhecia. Conhecia a minha religião, não conhecia a Cristo. Eu estava envergonhado, mas encontrava nisso um sentido gracioso, pois Ele me deixou vê-Lo.
Seu olhar me toca agora como quem diz: Viu como você não via?
Quando o despertador tocou, eu acordei assustado. As buzinas já se faziam ouvir e a cidade já havia despertado pra mais um dia de sons e cores berrantes. Agora eu estava de volta ao pesadelo real da minha vida confortável. Havia sonhado um sonho bom, lembrava de tudo e, mais ainda, das vergonhas que senti. Não teria apartir de agora o direito de continuar sendo o que eu era até a noite passada. Conheci outros valores, fui olhado por outros olhares, não consigo mais ser um opaco-religioso-urbano. Descobri que não havia avivamento algum, percebi que não era autêntico, que minha fé estava firme nas coisas dessa terra e distante da esperança celestial. Meu Deus quanta miséria a minha.
Agora os afazeres me impedem de continuar confessando e compartilhando, meu terno me aguarda engomado, meu perfume me chama, meu sermão esta pronto desde anteontem e minha igreja precisa de mim assim forte, corajoso e rico. Isso lhes dá uma sensação de poder e segurança. Obrigado gente, mas um povo avivado me espera. Preciso esquecer a vergonha e seguir triunfando. Fico sem chão, mas não posso perder a pose. Bom dia...
Assim termina o sonho e o pesadelo começa.
A Rocha Eterna, nosso chão, não muda e não negocia a Verdade.
Saúde e Paz
Fabio
segunda-feira, julho 18, 2011
O DIA DO FINAL DO JUÍZO.
Há algum tempo começaram surgir manifestações anunciando que no ultimo dia 21 de Maio de 2011 aconteceria o arrebatamento e o dia do Juízo Final. Tudo isso foi fruto de uma seita evangélica fundada por Harold Campbell, um amareicano que nos anos 90 havia publicado um livro que indicava o ano de 1994 como o tempo do fim do mundo , especificamente, no dia 6 de setembro daquele ano. A organização Family Radio, com sedes em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil (Belo Horizonte -MG).
A seita arrecadou de 2005 a 2009 80 milhões de dólares. A Family Radio foi fundada por Campbell em 1958, como uma rede de radio cristã, sem fins lucrativos, sediada em Oakland, Califórnia, que contava com cerca de 65 estações radiofônicas espalhadas por todos os EUA. Em fim, 50 anos depois a Family Radio parece ter tido a notoriedade esperada. muito dinheiro foi investido em propagandas em âmbito mundial; muitas pessoas venderam tudo o que tinham e, mais ainda, depositaram sua fé na profecia não realizada. A explicação para o não cumprimento do evento final em 21 de maio de 2011? A data foi mudada para 5 meses depois. Baseando tal argumento em Apocalipse 9.5, a data foi adiada para 21 de outubro deste ano.
Vivemos dias estranhos. Digo isso pensando na constatação de que a pregação sobre a volta de Jesus e os seus sinais, está bastante fora de moda. As teologias triunfalistas, humanista e que vendem uma esperança terrena, roubam do porvir e da promessa de Jesus de levar Seu povo para perto de si, para as mansões eternas o lugar de descanso dos peregrinos do Caminho, o valor desta certeza como base da fé em Cristo. A super valorização das conquistas materiais, das realizações de supostas 'promessas", fazem do seu um detalhe a ser adiado. Na calado destes cometas de distorção da Verdade, nasce a pouca importância a mensagem da 'Sua Vinda", tema não abordado por tele 'evangelistas", já que seus interesses, ao menos pelo que dizem e demonstram, são voltados para Terra e não para o Céu. Da não comunicação sobre a maior promessa de Cristo a Sua Igreja, nasce a falta de importância e a incredulidade em tal Verdade. Perde-se em meio aos crentes a esperança no amanha distante do que o dinheiro pode comprar. Por outro lado, na estranheza destes dias, surgem os Campbells, batendo seus 'sinos" de mentira, anunciando datas, enlouquecendo gente e brincando com a esperança alheia, além de arrecadar milhões com isso. Extremos que caminham para o mesmo fim: pessoas decepcionadas com sua própria credulidade e uma multidão rindo da fé como uma piada de mal gosto contada por um 'bobo da corte cósmica", só para brincar com os miseráveis humanos.
Porém, além , muito além, dos Campbells e dos Showmen da fé, está a Palavra que não passa, ainda que céu e terra passem. Mesmo que tudo acabe Sua Palavra não acabará. Jesus prometeu voltar, prometeu que viria a nós literalmente; que, neste tempo, fará distinção entre "joio e trigo", "ovelhas e não ovelhas", os "seus e os não seus". Jesus voltará. A forma como isso se dará pouco importa, mas será. Não há Evangelho sem essa verdade e certeza. O Evangelho nos tira o coração daqui e o põe onde há tesouros eternos. Aqui tudo é corruptível, mas um dia o corruptível se revestirá de incorruptibilidade.
Nao percamos esta esperança. É ela que mantém viva na Noiva o desejo do encontro com o Noivo para uma eternidade de vida.
"O Espírito e a Noiva dizem vem".
Saúde e Paz
Fabio
quarta-feira, julho 13, 2011
SER OU NÃO SER? LER OU NÃO LER?
Há pouco mais de dois meses lancei online um livreto sobre a relação do EVANGELICALISMO COM A MENTALIDADE PÓSMODERNA. O Texto é simples, a leitura é rápida e introduz a história do desenvolvimento do pensamento e da cosmovisão atual para comparar a pregação, a teologia e a ética evangélica deste tempo como produto da mentalidade secularizada da pósmodernidade.
Você pode ler o livro baixando o arquivo ou online no próprio navegador.
SER EM TEMPOS DE NÃO SER
Um grande abraço,
Fabio
segunda-feira, abril 25, 2011
CAMINHO E CAMINHADA

No meu caminho já tive dias de sol. O azul do céu, cheiro de mato, o mar calmo e morno a água limpa, o vento suave, nestes dias, me faziam navegar tranquilo e esquecido de que navegar é preciso, independente das condições que se apresentam. No meu caminho o sol já faltou, já houveram dias de nuvens altas e garoa fina, dias daqueles que o frio de fora nos convida pra não fazer nada, mas já houveram nuvens baixas, tempestuosas, pancadas destruidoras que fazem a gente questionar se o verão vale apena. Já vi o mar nervoso, já vi mar sereno.
No meu caminho já andei na sombra. Atravessei um rio com as aguas geladas e limpas nas canelas, depois de dirigir quarenta quilômetros em estrada de chão no cerrado do planalto central. Melhor ainda, estava na companhia de bons amigos. Já vi rios descomunalmente lindos e já atravessei mata fechada só para ver a margem de um deles e tentar pescar. Só consegui olhar, mas ver o que vi valeu por muitas pescarias. Só que neste meu caminho já andei e nada vi, já fui certo que havia e não estava lá. Já andei sozinho, mesmo cercado de gente e também já caminhei sozinho e sozinho. Já me cansei e nem notei que a paisagem era bela. Já quis parar e descansar, dormir e nem sonhar.
No meu caminho já sonhei, vislumbrei, acreditei e conquistei. Mas já senti o gosto amargo e enjoativo de sonhar, vislumbrar, acreditar e me frustrar.
No meu caminho já tive amigos que estiveram presentes e que me achavam um bom amigo também. Decepcionei alguns e me decepcionei com outros tantos. Já fui aplaudido e já fui ofendido. As curvas da caminhada escondem dos olhos a possibilidade de ver o que nos espera depois delas. Só a fé e a esperança, companheiras de caminhada, nos ajudam a encarar as curvas.
No meu caminho eu faço a seguinte cronologia: aos 19 eu tinha uns 25 anos; aos 23 fiz 35; aos 27 já tinha mais de 43 e aos 35, quando vi os primeiros cabelos brancos aparecerem e um bocado de outros começarem a se ausentar, eu tinha a certeza que já passava dos 50. Aos 36 fiz 36. Hoje tenho 41.
No meu caminho já vi fartura, mesa cheia, opções e dei graças por isso. Vi gente chique, etiqueta, o vinho bom. Já fui em festa muito cara e já comi em restaurante que nunca pensei entrar. No meu caminho conheço o não ter nem a mesa e falta de opções, dei graças por isso. Já fui a festa que nem o aniversariante foi. Já fiquei em hotel 5 estrelas. Já fiquei em hotel que não tinha nem céu, que dirá estrela.
No meu caminho vejo meus filhos crescendo e caminhando e me lembro de quando nem andavam sozinhos. Ouço ainda as suas vozes dizendo: “Pai brinca comigo?” Infelizmente varias vezes respondi que não poderia porque tinha que trabalhar ou estudar. Hoje, por vezes ,me pego pedindo: “Filho, vem brincar comigo.” E ouço as mesmas respostas que dei. Eles já começaram a construir o caminho deles.
Meu caminho é assim, igual ao seu. Nesta caminhada sigo no Caminho, buscando a Verdade, tendo como o alvo a Vida.
No amor de Quem é em si Caminho e caminhada.
Fabio
sábado, março 26, 2011
EXPLODE CORAÇÃO.

Coisas que eu não gosto mesmo, de jeito nenhum:
De falar mal dos outros;
De comida mal feita;
De ver meu time perder;
De ver meus filhos brigarem (rrsrsrsrs eles quase não fazem isso);
De ler obrigado (pq alguem me empresta um livro e me cobra: já leu, ja leu);
De musica chata e grudenta (exemplo: vou não...);
De violão desafinado;
De crente chato;
De gente que acha que eu sei tudo (putz , isso me irrita);
De quem ama o Pr. Fabio Teixeira, mas despreza completamente o Fabinho Rebôla;
De quem abusa dos outros;
De quem manipula a fé alheia;
De desmarcar pescaria (e depois saber que ...);
De não ter minha esposa por perto;
De não poder ser quem eu sou;
De guerra de egos e frescuras de vaidade;
De frescuras em geral;
De homem carinhoso de mais;
De corvardias e calunias;
De homem que se afirma na violencia (são covardes e idiotas);
De filme que não desenrola( a historia fica patinando e derrepente...acabou).
E há tantas outras coisas que não gosto que nem sei mais enumerar.
A maioria destas coisinhas horrorosas eu tenho que surportar, algumas com significante frequencia, são meios de eu ficar mais paciente e manso, ou de me enlouquecer de vez.
Escolho a primeira opção.
No amor de Jesus, que nos ensina a amar o próximo, mas a amar a nós mesmo também.
Saude e Paz,
Fabio
quinta-feira, março 17, 2011
LIDERANÇA INTERROMPIDA (reeditado)

A demolição das identidades é um dos principais efeitos da pós-modernidade. Este fenômeno é uma crise de conceitos. A família é um bom exemplo disto, pois aquele modelo familiar de pai, mãe, e filhos, já não é o único existente. Hoje já se admitem “famílias” formadas por pai, pai e filho; mãe, mãe e filho. Por esses caminhos, uma identidade deformada de valores se edifica em substituição a outras consideradas obsoletas. Este fenômeno pós-moderno atinge a sociedade contemporânea como um todo, entretanto sua atuação é sutil, silenciosa e eficiente.
Quero aplicar este conceito de descontrução a questões de liderança. Aliás, o tema também esta na moda. As lojas de livros estão lotadas de títulos sobre gestão, gerenciamento, e afins. E as pessoas estão lendo e estudando liderança como nunca. Nas empresas, igrejas e organizações em geral, liderança esta na pauta do dia.
Muito bem, quando penso friamente sobre liderança hoje, concluo que, apesar de muito discurso e estudo sobre o tema, pouco se vive à verdadeira liderança. Em se tratando de igrejas e religiões então, a crise da demolição neste campo fica bastante grave. Lideranças se tornam ditaduras, emplastradas de autoritarismo e controle da vida dos outros. Isso é liderança? Nunca foi nem nunca será.
Há uma demolição prática da verdadeira liderança no cotidiano “igrejesco”. Quando a força do comando está no poder do título; se o poder fala mais alto que o trato; se a liderança vale mais que os liderados, essa mesma liderança esta distorcida, doente e corroída. É uma liderança interrompida quanto aos valores que fazem uma relação líder/liderados ser sadia e valer a pena.
O maior líder de todos os tempos deixou pouquíssimas ordens para seus liderados, na verdade, só me lembro de duas: amai e amai. Jesus de Nazaré não apenas deixou o comando, Ele mesmo foi o maior exemplo de amor; sua vida e sua morte foram a síntese de seus mandamentos. As pessoas são mais importantes que as ordens! É a grande lição da liderança de Cristo. Lembra da mulher pega em flagrante adultério? Pela ordem da lei deveria morrer; pela ordem da graça alcançou misericórdia.
Onde estão os verdadeiros líderes? Lideres que doam a vida pelas ovelhas e não pelos seus interesses? Sei que eles existem, mas fica cada vez mais raro achar seus endereços, já que não precisam anunciar sua liderança, apenas vivem coerentemente com o discurso que pregam. Não arrastam grandes multidões, mas formam verdadeiros discípulos de Jesus.
Saúde e Paz
Fabio
PS: Este texto foi publicado pela primeira vez em 2006. Pela relevancia ainda para hoje, resolvi reedita-lo.
quarta-feira, janeiro 19, 2011
A PAZ DO MAR

Sou um apaixonado pelo mar. Não consigo pensar em descanso sem imaginar o sol nascente ou o poente no horizonte infinito do mar.
Também amo pescar. Tal esporte me acompanha desde criança. Neste tempo, várias vezes, sonhei pescando sem nunca ter pescado de fato.
Muitos, como meus filhos ,por exemplo, começaram a pescar por influência do pai. No meu caso isso não foi assim, cresci sabendo que gostava de pescar, já meu pai, até hoje, nunca soube o que é experimentar o prazer de pescar. Pescaria para mim é o todo, o mar, o vento, bons amigos, aquela risada, o papo etc. E o peixe? É parte e faz parte.
Assim a paixão pelo mar e o amor pela pescaria fazem parte da minha vida ativamente. Fiz bons amigos pescando e levei bons amigos para pescar. Meus filhos são os melhores companheiros que tenho.
Depois de vinte anos usando o mar como lugar de desafogo da alma me vejo impossibilitado de ser diferente e nem sei se quero ser.
Acima do mar e da pesca há Aquele que é a Paz do mar, que acalma o mar e a Quem o mar obedece. O Mestre Jesus é a paz do mar. Portanto, se o mar é paz para aqueles que, assim como eu, o buscam para obter descanso, Jesus é a paz do mar. Ele é a paz da paz.
Pensando nisso tudo que compûs a canção que coloco aqui para que você leia como um poema.
"Ir ao mar, na esperança de encontrar mais que o peixe a paz,
Mais que a presa a beleza do viver, ver ao ver o mar.
Ir pro mar, na certeza de encontrar, o descanso no balanço do mar.
Aqui na terra seca a luta doi no peito,
A lei é a do mais forte e a guerra é vida ou morte.
Vou pro mar, na certeza de encontrar, o descanso no balanço do mar.
Quem é esse que até o vento e o mar,
Obedecem sem lhe questionar,
Ele acalma o mar, Ele é a paz do mar,
Jesus, na vida acalma o mar."
Crendo que a paz de Cristo transcende a paz do mar, já que é paz ainda que na tempestade, é que escrevo estas linhas.
No amor de Cristo, Principe da Paz, Senhor de tudo.
Fabio.
PS: Eu mantenho um blog onde escrevo sobre Pesca Esportiva. Quem quiser conhecer clique no link abaixo:
Pescar e Saber
sexta-feira, dezembro 31, 2010
sexta-feira, dezembro 17, 2010
ORO ASSIM NA ESTRADA ESTREITA
A LONGA E SINUOSA ESTRADA
A longa e sinuosa estrada
Que leva a sua porta
Nunca desaparecerá
Eu já vi essa estrada antes
Sempre me trás aqui
Me leva a sua porta
A noite selvagem e com ventania
Que a chuva levou para longe
Deixou uma poça de lagrimas
Chorando pelo dia
Por que me deixar em pé aqui
Deixe-me saber o caminho
Muitas vezes estive sozinho e muitas vezes chorei
Mesmo assim você nunca saberá os vários caminhos que tentei, mas
Mais ainda assim eles me trazem de volta
Para a longa e sinuosa estrada
Você me deixou parado aqui
A muito, muito tempo atrás
Não me deixe esperando aqui
Me leve a sua porta
Mais ainda assim eles me trazem de volta
Para a longa e sinuosa estrada
Você me deixou parado aqui
A muito, muito tempo atrás
Não me deixe esperando aqui
Me leve a sua porta
(tradução retirada da internet)
______________________________________________________________________
Pai, sentir-se só é coisa que sabes bem. Guia-me em tuas veredas;
E em meio aos vendavais tu sempre serás a Rocha, o refúgio, o amigo, o abrigo;
E em tempo de lágrimas tu nos agracia com amigos que choram conosco;
E no dia consolação nos ensina a consolar outros,
O caminho solitário nunca deixará de ser solidário.
No amor de Jesus, o Principe da Paz.
Fabio
quinta-feira, novembro 11, 2010
É BONITA E É BONITA

No corre-corre da vida, os olhos e a alma se iludem obtendo a certeza que podem achar as soluções tão procuradas pelos caminhos e atalhos que percorremos. Quando crianças, procurávamos aquela figurinha difícil, a bola de gude perdida ou a boneca lindinha que era parte dos sonhos. Sonho de criança não se importa com preços, são apenas sonhos sonhados e nem sempre comprados.
Na adolescência, as flores brotam e os sinos tocam. Paixões platônicas, risos e choros. Adolescente ri muito e também chora fácil. Nessa etapa, procurávamos o amor, a compreensão da vida, o motivo, aquela razão para estar aqui.
Um dia acordamos às portas da vida adulta. O caminho aqui tem muitas curvas, daquelas estreitas que não te deixam ver o que vem após o término dela, a única opção é fazer a curva até o fim e encarar as surpresas. O futuro é aqui. As escolhas, as decisões, as responsabilidades. A vida real começou, e nós, no caminho, ainda procurando a velha figurinha que completa o álbum, ou aquela singela bonequinha que faria o sonho realizar-se.
Adultos? São os donos de si e do mundo. A vida é dos adultos. Responsáveis e livres. Capazes de ser o que quiserem, são senhores e senhoras de si. E a tal figurinha ou bonequinha? Compra-se. Qualquer vitrine vende. As paixões também têm seu preço e os adultos podem comprar. Ser adulto é um estado de supremacia, até que o show acaba e as luzes apagam. Ah, que saudade da minha infância querida, do cheiro de terra, do dedo esfolado, do café com leite antes da escola, do sono tranquilo e cansado de tanto fazer nada, ou fazer tudo que só criança faz. Nessa hora, o adulto se rende e conclui que o que tanto procurou até hoje, era exatamente o que tinha vivido ontem: a pureza do sonho da criança, a simplicidade da vida, a beleza do sonho sem preço.
"É preciso ser como criança", nos ensinou o Mestre. Ninguém nos conhece mais que Ele. Quem inventou os tempos, as estações do ano e as estações desta trilha chamada "viver na terra dos homens". Diante de tantos supostos referenciais de sucesso e fortuna, de fama e felicidade, Jesus aponta para nós, adultos, uma referência louca e aparentemente retrógrada, uma volta ao passado como fator preponderante para a felicidade presente e a segurança futura. O ente referencial é a criança. Criança é do jeito que é, simplesmente, por ser o que é: criança.
Autenticidade, humildade, carinho, uma bela dose de sonhos e risadas, somados com o fato de ir para escola todo dia, mesmo depois de ter se formado em tudo, a vida-escola continua, e nós, como alunos, não podemos deixar de prestar atenção às suas lições. Ainda estamos sujeitos às reprovações. Amiguinhos também são indispensáveis, até aqueles que brigam com a gente, mas que ainda jogarão no nosso time, e juntos comemoraremos as vitórias e choraremos as derrotas. Pois é, ainda é bom rir e chorar.
No corre-corre da vida, na busca pelo que chamamos de felicidade, na corrida do ouro e na proclamação de nossa independência, nem percebemos que as reposta estão naquilo que um dia fomos, e que se perdeu pela inevitável marcha do tempo. Crescemos e matamos o nosso eu-feliz, a criança. Pura, simples e em paz.
O segredo está na beleza da resposta da criança, vivendo e não tendo vergonha de ser feliz, e, mais ainda, cantando a beleza de ser um eterno aprendiz.
Das crianças é o Reino dos Céus.
No amor de Quem nos indica a criança como referencial de vida.
Saúde e Paz,
Fabio
sexta-feira, outubro 15, 2010
NÃO NÃO

Não tenho novas e mirabolantes revelações.
Não tenho grandes e astronomicas metas.
Não tenho nenhum carisma que de ibope.
Não tenho em mim nada para que se digam: é especial.
Não gosto das rodas formadas para negociar a consciência.
Não gosto de grupos fechados.
Não gosto de interesses e interesseiros.
Não gosto que me tratem como quem diz: é especial.
Não sei lidar bem quem gosta de enganar.
Não sei fingir que não vi.
Não sei não ficar indignado com quem quer enganar.
Não sei porque as pessoas precisam tanto de alguém para dizer: é especial.
Não me chamem para aplaudir o que cega.
Não me chamem para ouvir música burra.
Não me chamem para ver filmes vazios.
Não me chamem para dizer aos outros: é especial.
Não sou tão forte e nem tão fraco.
Não sou tão ruim e nem tão bom.
Não sou tão fim e nem tão meio.
Não sou em nada alguém que carregue em si um: é especial.
Não tenho olhos de águia.
Não gosto das novas revelações.
Não sei não ser assim.
Não me chamem para não pensar.
Não sou o que muitos querem, nem serei.
O Mestre nos ensinou que Não só pode ter um sentido: Não. Portanto, cada não aqui dito é não mesmo, ainda que a poesia alivie o peso, meus "nãos" são desabafo, o desafogo enojado de quem vê tanta gente só querendo os "sins". Os "sins" são recheados de aplausos e louros. Estão nas paredes, nas estantes, nas prateleiras empoeiradas, nas medalhas , nos corredores escuros e nas mesas onde os sorrisos dizem "sim" e o coração diz "não". Hipócritas infelizes e sorridentes. Consciências doentes de corações vendidos. Cansei-me disso há tempos, continuo cansado, não pretendo descansar.
O evangelho me refaz, renova a alma e a esperança num dia que virá, quando a Verdade dirá o sim e o não. Sim a gente não e Não a gente sim.
Fabio.
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