Tuesday, February 02, 2010

Reeditando - EPÍSTOLA DO PESADELO


Pela relevância do texto estou trazendo-o "pra cima" novamente. Espero que os que ainda não leram este texto que escrevi em dezembro de 2006 leiam, reflitam e comentem . Os que já leram que releiam e repensem seus valores e que todos nós revejamos a vida apartir do Evangelho e vejamos se realmente sabemos de "que espirito somos". Fiz algumas mudanças ao texto original assim como alguns acréscimos também. Espero que gostem

Aparentemente aquela seria mais uma noite de descanso na vida daquele homem de Deus. Ao deitar-se pediu ao Senhor que, mais uma vez, falasse com ele durante seu tempo de repouso, apenas não esperava que aquela não seria uma noite qualquer, mas que acordaria bem diferente de como se deitou. Pela manhã sua oração seria outra.
O irmão Paulo acordou num susto; as mãos suadas, os pés gelados, roupa colada em seu corpo marcado pelos sofrimentos que vivera em seus anos de ministério. Aliás, sua saúde que já não ia tão bem, parecia pior ainda naquela manhãzinha. Coração disparado, boca seca e um medo que o pesadelo fosse resposta à oração feita antes de dormir. “Será? Não pode ser? Mas, e se for?” Aquele líder, acostumado as lutas e perseguições, acusações e calunias, naquela manhã se sentia mais sozinho do que já era normalmente. “Ah, foi apenas um pesadelo... melhor assim. Não vou contar pra ninguém, estou apenas impressionado.” Na verdade Paulo estava frustrado com o que vira. “Será que a igreja que eu ajudei a estabelecer vai viver isto em seu futuro?” Pensava. Lavou o rosto, trocou a roupa, fez sua refeição matinal (coisa rara na disciplina de jejum do pastor Paulo), tentou lembrar-se das igrejas que plantara, dos discípulos que gerara, das palavras, das promessas, das verdades do “seu evangelho”.
Escrever era mais que um trabalho, era uma rotina na vida dele, mas naquela manhã estava resoluto a não escrever nada. “A boca fala do que o coração esta cheio, estou cheio do pesadelo que tive, se for escrever vai ser sobre o que minha mente imaginou a noite e não acho isso uma boa coisa.” Apesar desta vaga convicção, todo seu interior parecia gritar, “Escreve, escreve, Paulo escreve” .
Cedeu ao apelo de sua intuição e pegou a pena, o tinteiro e uma folha de papiro. “Mas não estou acostumado a escrever sozinho, vou chamar o irmão... ah vou escrever eu mesmo... ninguém precisa ler isto.”
Segue aqui o texto que o pastor Paulo escreveu. Ele não sabia, mas seu pesadelo não era apenas seu.

Eu Paulo, apóstolo, servo de Cristo, em quem me alegro na esperança de Sua vinda e orando para que estas palavras que vos escrevo de próprio punho não se cumpram, mas sirvam como alerta. Hoje acordei a atribulado, não de chicotadas ou fome, nudez ou prisões, mas do que vi em sonho.
Sonhei que estava em um lugar que nunca fui. Nele havia um grande edifício onde estava posta em grandes letras a palavra IGREJA. Estranhei, jamais vira antes este termo ligado a um lugar. Só o compreendo no que se refere a reunião dos irmãos. Mas vi que ali se reuniam pessoas que se chamavam crentes e que se tratavam por irmãos. Só que eles não eram como o que hoje conhecemos como tal, eram estranhamente orgulhosos e desfilavam altivamente espirituais. Me lembravam de meus mestres de infância, meus colegas fariseus também me vieram a mente num lampejo do passado, mas o pior foi ver que minha principal referencia comparativa foi de gente que naufragou na fé, que olhou pra trás, mesmo demonstrando uma grande empolgação por um tempo não resistiram aos constantes vendavais. Conheci alguns, mas jamais pensei em ver uma assembléia cheia deles . Fuji destes pensamentos e segui um grupo deles que entrava no prédio, acho que era domingo. Eles não notavam, mas ouvi que falavam uns aos outros do que iriam fazer após o término daquela que parecia ser uma importante celebração. O que diziam entre risos e cochichos até o pensar me parece torpe.
Um dos homens do grupo foi recebido com honras na porta do prédio. Haviam centenas de cadeiras ali, sentei-me na última fileira. O homem-honrado-na porta dirigiu-se para a parte mais alta que estava na frente das cadeiras. Logo o lugar estava cheio de gente. Tudo ia relativamente bem, até que alguém começou a cantar, e a música falava de um Jesus diferente. Não era o Cristo glorioso da ressurreição, era sim um Deus carente, humanizado. E o povo que cantava parecia romanticamente envolvido pela música. Fiquei assustado, pois a música seguinte era igual a anterior, só um pouco mais rápida. A terceira também e ai meu susto aumentou, pois entendo que o que cantamos reflete o que pensamos. Isto quer dizer então que o Jesus que eles crêem é assim?Mais sensível do que Senhor?
Outra coisa que me espantou nas músicas foi quando alguém disse que iria adorar a Deus e começou a cantar uma canção que só falava de suas próprias vitórias pessoais.
Mas o pior foi ouvir uma expressão bem conhecida minha ser utilizada de forma tão vulgar. Toda hora alguém falava que era “mais do que vencedor” e repetia pro vizinho do lado. Tudo bem, se esta frase que escrevi em um momento de dificuldade grande, expressando minha fé na fidelidade do Senhor, mesmo nas aparentes derrotas, não estivesse sendo deturpada para exaltar os homens e não a Deus. A impressão é que aquela era uma assembléia de super-soldados-romanos, super-gladiadores invencíveis, e que ninguém ali conhecia a sensação da derrota, do desprezo, da calunia. Como eu conheço bem estes sentimentos me restava a certeza da exclusão. Eu não fazia parte daquela reunião estava apenas ali, mas não era dali. Alguém familiar começou a pregar, era o homem que vi ser honrado na entrada. Coordenava bem as idéias, com desenvoltura e destreza anunciava sua mensagem, mas assustei-me com a forma que falava de si mesm, e usava sua história como exemplo para os ouvintes. Lembrei-me do Mestre dizendo: Quem fala de si não tem autoridade. Quando o pregador leu: Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece, tive vontade de gritar, mas o domínio próprio não deixou. Quando ele disse que neste texto Deus estava dizendo que todos os presentes ali haviam nascido para ter uma vida prospera e cheia de bens, com a certeza que todos os sonhos seriam realizados, desde que fossem ofertantes e dizimistas, a minha vontade foi pular pra cima da plataforma e contar para todos que no dia em que escrevi estas palavras eu estava fraco, sozinho, preso, caluniado e que, na minha fraqueza, achava forças em Cristo. Nada havia de riqueza na minha mente quando escrevi aos meus irmãos de Filipos a frase citada, ao contrário, estes irmãos me sustentavam em minhas prisões e eu escrevi para agradecer-lhes o amor cristão. Eu tinha vontade de acordar, de ver o fim daquele sonho frustrante.
Vi tanta gente sofrer pelo evangelho de Cristo, eu mesmo carrego em meu corpo as marcas destes sofrimentos e agora estava vendo todo o esforço de uma vida de pregação e ensino ser simplificado em meia hora de preleção, e tudo isto sob os aplausos inflamados dos ouvintes. Terminou a reunião e eu fui falar com o homem que falará tanto de mim a pouco. Queria me apresentar, dar-lhe alguns conselhos, até dizer que me senti honrado pelas diversas referências ao meu nome, mas que gostaria que ele interpretasse certo as minhas palavras, entretanto fui abordado por dois sujeitos fortes, bem vestidos, que pareciam guardas do imperador. Eles me receberam com a notícia: nosso pastor não atende ninguém depois do culto - e argüiram-me - Quem é você? Porque se veste assim? Qual assunto gostaria de tratar? Pedi licença e retirei-me dali. Fiz questão de reler a placa da entrada, estava lá: Igreja Cristã. Onde estaria Cristo? Todos saíram rindo e brincando, só eu estava amargurado e revoltado, mas havia no fundo uma sensação de alivio, era apenas um sonho e vou acordar agora – pensava. Estava certo, o sonho já findava, mas algo ainda ia piorar as sensações que me assaltavam. Na frente do prédio achei uma pagina escrita, nela a imagem do pastor-pregador-honrado além de várias palavras que fiz questão de não ler, mas um registro naquele documento me perturbou, havia nele uma data: 25 de Maio de 2006. Uma voz soou forte, tão forte que me acordou: - Paulo, vistes o futuro, o que chamarão de igreja no futuro.
Acordei e escrevi estas linhas. Confuso e orando para que este sonho seja apenas um devaneio de minha mente mortal. Graça e paz.

Paulo terminou de escrever e guardou a carta no fundo de seu baú de livros. Jamais a enviou para lugar algum. Ele não sabia que o encontro do qual participou em seu sonho perturbador pode ter acontecido no último domingo em algum lugar chamado “igreja” em um país tropical que jamais imaginara existir.
Sinceramente gostaria que o texto que você acabou de ler também fosse apenas um devaneio de minha mente mortal. Os fatos podem até ser, o conteúdo, infelizmente, não o é.

Saúde e Paz
Fabio

9 comments:

Ralph said...

É impressionante o quanto me surpreendo positivamente quando entro aqui nesse blog! Espero anciosamente pelo site e espero que haja muitas mensagens do pastor para ouvirmos! Cada vez que venho aqui percebo o quanto necessito descontruir e reconstruir minhas idéias! GLÓRIAS A DEUS!!!!!!!!!!!!!

Um grande abraço Fábio!

Ralph said...

Ahhh já ia esquecendo de dizer: É muito bom ver, ler ou escutar coisas que visívelmente vem do alto e não de doutrinas de homens!
Glória a Deus nas alturas!

Obs.: E o Seminário Betel hein hein hein? Já existe, Deus ainda está trabalhando ou devemos esperar? rsrsrs

Grande abraço!

Márcio Cardoso said...

Pr.Fábio, Muito bom mesmo! a forma como insere esse texto.. Não sei qual é o termo que se usa para isso, se é romance, crônica etc..
O relato fictício alcança o objetivo se você se concentrar no que está lendo e visualizar "A angustiante viagem de Paulo ao futuro.. nosso presente e realidade."

Márcio Cardoso said...

Alguns pontos são bem fortes e faz a gente refletir; como acho que esse espaço é para opiniões, vou deixar a minha e também pedir para que os demais comentem "o texto".

Pontos que realmente mexeram comigo:

1 - Paulo lendo "IGREJA" como placa, como endereço e instituição..

2 - imaginar Paulo.. velhinho e maltrapilho na última fileira assistindo a um culto. Triste e angustiado com a troca de valores e interpretação de suas palavras e dos conceitos do Senhor Jesus.

3 - A constante comparação do que seria para um viajante de quase 2000 anos em reconhecer nestes "adoradores" os mesmos traços de soberba, luxuria, e etc.. do que a dos fariseus, os Romanos, Os mestres religiosos do seu tempo.. ou seja, mudavam os personagens mas os erros e as figuras socias continuavam no mesmo lugar.

4 - Imaginar realmente como um senhor de idade, como Paulo é retratado, com as roupas que provavelmente vestiria na ocasião, seria tratado ao tentar falar com o culto Pastor.

4 - O relato dos assuntos torpes antes do Culto a Deus por parte dos Líderes e da risadaria e falta de reflexão ao fim da pregação por parte do povo "a IGREJA" quando tudo ternina.

5 - E fica pra mim Pr. Fábio uma indagação e dúvida.. quanto a charada na data final do texto? Trataria simplesmente da data de escrita do texto? Ou o chamado para o despertar de "Paulo" em seu sonho, data com o despertar de outro pregador?

Um forte abraço!

Juarez said...

Penso que hoje em dia as pessoas estão se "convertendo", pensando o quanto do mundo (sistema ) eu posso levar para minha nova vida.
Faço as a palvras de A.W tozer quando diz: os crentes não falam mentiras , eles as cantam....
Que DEUS nos ajude!!!!!!!!

Fabio Teixeira said...

Ralph, obrigado pelas palavras de incentivo, de fato a Deus seja a Glória. Quanto a "seminário", mano não há nenhum planejamento para que isto aconteça, seguimos estudando a Palavra todo dia em cada encontro. Nos visite um domingo destes e verás.

Márcio, teus destaques foram otimos. Quanto a data citada, realmente não há nada de especial nela, foi chute mesmo (apesar do ano não ser).

Juarez, Deus tem guardado Seu povo, Sua Igreja. Quanto as nossas igrejas...ai que cada um responda por si.

Beijo em todos

Carlos Carvalho said...

Tenho percebido que o Espírito Santo tem despertado alguns para estas verdades. E isto está acontecendo "em paralelo", como só Ele poderia fazer. Suas palavras ardem em meu coração. Fico feliz de ver que não estou só em minha "loucura" de condenar as nossas instituições humanas, quando tantos as idolatram. "Ouvi-lo" não me dá mais certeza da verdade, mas é uma brisa enviada por Deus para refrescar o deserto da solidão daqueles que ousam erguer a voz contra os guetos chamados "igrejas" em nosso país nos dias de hoje. Só peço a Deus que, a partir do momento que você tem sua própria "comunidade", não venha com o tempo a reclinar-se no conforto que a vaidade de nossa carne busca. As pessoas tenderão a enchê-lo de elogios. E o inimigo sabe muito bem explorar este momento. Não subestime a vaidade de sua carne. Permaneça na visão que Deus lhe deu. E jamais pense que isto será fácil, seria o começo de um grave erro. Deus te abençoe e te conserve, mano. Imagino que seria bom pra mim se nossos caminhos se encontrassem, mas Ele é soberano. A Graça, que é de graça, sempre nos basta. Posso até não sentir isto às vezes, mas felizmente é um fato que não depende de nós. Deus é fiel...e ponto.


Beijo pra ti também.

Fabio Teixeira said...

Carlos , meu mano...

Esse teu apelo tem sido a minha maior preocupação e o alvo dos maiores cuidados.
Torço muito para que nossos caminhos se encontrem.

Abração

tony macedo said...

Precisamos de fato de Deus e não de uma composição eclesiástica,como temos hoje.convenções mandado mais que a palavra de Deus.Parabens pastor pelo post de uma olhada se puder...
http://tonytorresmacedo.blogspot.com/