Friday, June 17, 2011

A SAGA DOS HOMENS (PARTE 4)


Depois destes fatos uma única pergunta se fez presente entre Homens e homens: Quem enviou as mensagens? Senhores e assenhoreados se questionavam sobre a mesma questão. Quem?
As respostas que surgiram também foram bem parecidas, já que os homens desconfiavam que os Homens haviam enviado de alguma forma o tal recado e os Homens estavam convictos de que os homens foram os remetentes da misteriosa e ameaçadora mensagem. Neste ponto é que estavam as diferenças do desenrolar da história que envolveu os cartazes que os dois grupos receberam. Os homens fizeram questão de espalhar em todas as vielas, ruas e casebres o que acontecera na taberna e as famílias dos mortos no massacre reviveram a esperança de que a vingança viria em forma de justiça, que os cavaleiros assassinos seriam descobertos, julgados e mortos. Os homens também acreditavam que os seus senhores, os super Homens, com seus deuses e seus corações bondosos, que se fizeram presentes na hora que eles mais precisavam, no dia em que suas ruas e almas se encheram de sangue inocente, eles, que ainda juraram enforcar os monstros covardes, teriam enviado de alguma forma desconhecida e mística aquela pequena mensagem que reafirmava a promessa da vingança. Foi esta crença que se espalhou entre os homens. Eles não sabiam a verdade.
Enquanto os servos bebiam da esperança na justiça dos Homens, estes se envenenavam nas fontes do ódio, da desconfiança e do medo. Eles se sentiam ameaçados, juraram manter tudo sobre a tal mensagem em segredo. Um desconfiava do outro. Alguém tinha revelado aos homens que eles, os Homens, eram os causadores das noventa mortes, só que os únicos que sabiam disso estavam juntos na hora em que a ameaça chegou. Haveria um traidor entre eles? Mais ainda, o que os homens estavam preparando para se vingarem? Uma invasão dos palácios? Os Homens sabiam que se houvesse uma rebelião dos homens, muitas vezes mais numerosos do que os super Homens, seria impossível detê-los. Até agora os subalternos foram controlados pela força da crença e do medo, mas para os Homens, tudo isto estava prestes a explodir. Culpa do traidor.
Sentados envolta da mesma mesa onde comemoravam suas vitórias, na mansão do primeiro Homem, cenário de bestialidades orgiásticas e segredos bem secretos, uma decisão deveria ser tomada, matar o traidor. O detalhe, ele estava assentado em uma das luxuosas cadeiras que envolviam a mesa de madeira talhada a mão. Silêncio; ninguém se entregaria. Resolveram lançar sorte. O escolhido morreria e seu corpo seria pendurado no grande portão da muralha que separava o mundo dos homens e os palácios dos Homens.
A sorte foi lançada e caiu exatamente no Homem que naquela noite havia aberto a porta e visto o cartaz pela primeira vez. Estava claro, foi ele mesmo o traidor, ele sabia de tudo e havia facilitado a entrada de algum dos homens, um imundo e petulante servo. O Homem condenado a morte desabou do alto de sua presunção. Chorando desesperadamente ele jurava que não havia sido ele, que não traíra seus iguais e que não sabia de nada sobre a ameaça. Ofereceu-lhes suas riquezas, mulheres, escravos; chorou e implorou. Nenhuma resposta diferente do silencio de seus pares ele recebeu. Foi levado aos fundos da mansão, amarrado, amordaçado e, enquanto clamava por piedade teve suas vísceras expostas pela lâmina da espada do primeiro homem. Como forma de misericórdia, diante do sofrimento, um dos Homens deu-lhe um tiro entre os olhos. Silencio. Seu corpo foi pendurado no gigantesco e imponente portão. Quem olhava de longe via um corpo enforcado.
Os senhores assentaram-se a mesa e brindaram. Todos sabiam que nenhuma vida, nem a deles mesmo, valia mais que o Sistema que eles haviam criado. Agora era se preparar para o ataque dos homens - a sub-raça que havia descoberto a identidade dos assassinos de seus filhos, mulheres e anciãos. Os Homens estavam prontos para guerra, para matar e matar.
Na cidade dos homens as ruas eram inundadas de um sentimento de gratidão e a sensação de que algo aconteceria em favor deles, algo ao menos, aliviaria aquele vazio de quem perdeu quem amava sem nem saber por quê. Havia esperança, seus senhores, os Homens, estavam ao seu lado.
De repente chega correndo e esbaforido um jovenzinho vindo do lado dos castelos. Ele havia ouvido gritos vindos de traz dos muros, gritos que foram abafados e silenciados. O rapaz disse ter ouvido um estampido também. Porém seu maior susto foi te presenciado de traz de uma árvore o enforcamento de um home eviscerado. O menino descreveu um cenário de horror e disse ter chegado perto, ainda que amedrontado, para ver quem era o infeliz pendurado pelo pescoço. O menino dizia - "O rosto está desfigurado".
O rapaz assustado pelo que vira não entendeu quando sua cena de pavor foi comemorada com abraços e vivas. Alguns minutos forma necessários para que ele lembrasse a promessa dos super Homens de enforcar os culpados. Tudo fazia sentido, a vingança começou.
Imediatamente os homens começaram a organizar uma multidão grata e curiosa. Todos queriam ver o corpo e também agradecer de alguma forma a seus senhores. Eles prepararam presentes e, naquela noite, pretendiam cercar a muralha de flores e invadir os palácios com canções.

Os homens amavam os Homens. Os Homens tinham medo dos homens.


Continua...

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